DEUSAS BRASILEIRAS
MATINTAPERERA, A FEITICEIRA AMAZÔNICA
Waldemar Henrique ilustrou musicalmente os versos em que o poeta Antônio Tavernard nos conta a ingênua lenda:
"Matintaperera
Chegou na clareira
E logo silvou,
No fundo do quarto,
Manduca Torcato
De medo gelou
Matinta quer fumo
quer fumo migado,
meloso, melado,
que dê muito sumo...
Torcato não pita,
não masca nem cheira.
Matintaperera
vai tê-la bonita...
Matintaperera, detardinha vem buscar
o tabaco que ontem à noite eu prometi,
queira Deus ela não venha me agoniar,
Ah! Matinta, preta velha, mãe-maluca, pé de pato.
queira Deus ela não venha me agoirar......
Matintaperera
chegou na clareira
e logo silvou.
No fundo do quarto
Manduca Torcato
de medo gelou.
Que noite infernal,
soaram gemidos,
resmungos, bulidos,
do gênio do mal....
E, até amanhã,
bem perto da choça
a fúnebre troça
dum vesgo acauã
acauã....
acauã...."
Existem pessoas para quem a noite se revela como um cenário de mistérios singulares e ideal para por em prática seus pensamentos. A noite é trocada pelo dia, com todo o fascínio e o terror que pode provocar.
Neste cenário noturno aparece Matintaperera.
Matintaperera é a designação dada a uma pequena coruja, que goza, entre os nativos, da faculdade de transformar-se em gente e pintar o sete, brincando, ralhando, castigando os meninos vadios e mal-criados. Pertencente a família dos gnomos e duendes, rouba objetos das casas ou os muda de posição e bate nas crianças.
No interior e até mesmo na capital do Amazonas e Pará, a gurizada acredita que a ave ronda as casas na calada da noite, afim de roubar os meninos travessos ou fazer estripolias. Oferece-se-lhe então, grande quantidade de tabaco, convidando-a a aceitá-lo:
- Matintaperera, podes vir buscar a encomendazinha.
Mau destino está reservado à pessoa que, pela manhã seguinte é a primeira a entrar na casa em que se faz semelhante convite. Fica encaiporada para o resto da vida, é como se virasse Matinta. Em toda a Amazônia é tida como encarnação de alma penada ou metamorfose de velha malvada a exigir tabaco para o seu cachimbo.
Só pode ser vista, entretanto, por quem cobrir as mãos com um pano preto, pois as unhas humanas são como fogo para ela. Quem quiser vê-la sem ficar assombrado, deve se aproximar da casa onde esta mora, recitar uma oração e dar uma volta na chave. Na manhã seguinte é encontrada sentada à porta, com forma humana.
Existe uma maldição lançada por um pajé da tribo dos Waimiri Atroari. Depois que sua tribo ter sido dizimada pelos brancos, ainda moribundo, o pajé anunciou que todos os que haviam participado do massacre do seu povo, estariam fadados a perambular eternamente pela floresta sob a forma de uma velha ou um pássaro que todas as noites gritava:
Matintaperera, Matintaperera!
Nas noites de sexta-feira é maior o temor que inspira.
Fala-se que a tal criatura chegou a matar vários seres humanos.
A Matintaperera pode transformar-se em vários animais como porcos, morcegos e aves e é vista como uma perigosa feiticeira. Segundo a voz do povo, é uma bruxa velha que quando moça cometeu grandes pecados e por isso fica cumprindo o seu fadário. Os fadista são tidos como pessoas que fizeram pacto com o demônio em troca de algum tipo de vantagem e acabaram punidos com um fado como o de se transformarem em animais, durante a noite.
Uma outra versão, nos conta que Matinta é uma velha vestida com uma longa saia negra, que vira carambolas com uma lamparina acesa na cabeça. A chama dessa lamparina se mantém acesa até a velha se transforme em duende. Assombra as pessoas, dando-lhes violentas dores de cabeça ou em todo o corpo. Quando ela está rondando a casa, quem quiser prendê-la, deve espetar uma agulha virgem em um cinto de couro e proferir pequenas orações. A Matinta se prende por ela mesma.
Há outras fórmulas mágicas que permitem "prender" a Matinta Perera. Um deles exige uma tesoura virgem, uma chave e um terço. Cerca de meia noite deve-se abrir a tesoura, enterrar na área, colocar no meio a chave e por cima o terço, após o que rezam-se orações especiais.
A Matintaperera ficará presa ao local, não conseguindo afastar-se...
Uma forma de espantar a entidade é a de tirar o capuz ou barrete encantado do Matintaperera.
Os tupinambás atribuíam a função de mensageiro das coisas da outra vida, aquele que vinha dar notícias dos parentes mortos e davam-lhe, por isso, o nome de Matintaperera. Porém, passou posteriormente aos direitos de certos pajés e feiticeiros transformarem-se em Matinta e, pela madrugada retornar à forma anterior.
Todas estas crendices foram herdadas das superstições indígenas e chegaram até nós pelo veículo dos pajés e curandeiros, interessados em arranjar sempre maior número de motivos para suas artes misteriosas.
Matintaperera associa-se à face da Deusa-Anciã.
OS PÁSSAROS DA NOITE
No mundo inteiro, os pássaros da noite foram associados à almas penadas e fantasmas que aproveitando-se das sombras noturnas voltam para gemer perto das casas onde moraram.
A coruja, em especial, era considerada um pássaro de mau-agouro e seu repetitivo grito pressagiava morte vindoura na vizinhança. No Altaí, o traje xamã (sempre ornitomorfo) é freqüentemente ornado com penas de grão-duque. Segundo Harva, o conjunto do traje, como era antigamente, devia representar um grão-duque. Esse pássaro noturno, na crença popular do Altaí, afasta os espíritos.
Uno Harva escreve:
"Em muitos lugares, quando as crianças estão doentes, é costume ainda hoje, capturar um grão-duque e dar-lhe comida, pensando-se que esse pássaro afastará os maus espíritos que assediam os berços. Entre os iogulos, nas festas do urso, uma pessoa disfarçada de grão-duque é encarregada de manter a distância a alma do urso morto".
Entre os astecas, a coruja era, como a aranha, o animal símbolo do deus dos Infernos. Vários códices representam-na como "guardiã da casa escura da terra". Associada às forças ctônicas, é também um avatar da noite, da chuva e das tempestades. É associada ainda à morte e às "forças do inconsciente luni-terrestre que comandas as águas, a vegetação e o crescimento em geral."
Ainda hoje, para as etnias indo-americanas, a coruja é uma divindade da morte e guardiã dos cemitérios.
UIARA, A NINFA DAS ÁGUAS
O Brasil tem um segredo na sua natureza: é o mistério das Uiaras. Se alguém se atrever a conhecê-lo, se resolver estudá-lo, começa a ver coisas tão lindas, nas suas montanhas, em seus campos, em suas florestas e nos seus rios, que eleva-se de tal forma no capricho de suas formas vivas, nos imprevistos de sua população primitiva, que logo se prende à um amor tão grande, tão sincero e tão profundo, que nada há que o afaste deste abismo.
Na lenda de seus primeiros filhos, houve a idealização do Brasil, mas quem resolve conhecê-lo, não resiste e mergulha em seus encantos e perde-se de amor em suas maravilhas.
A beleza misteriosa dos nossos lagos e rios, sobretudo daqueles que ficam entre as grandes florestas do norte, criou uma visão arrebatadora, que sobrevive em nossa tradição como imagem interessante sob qualquer aspecto que se apresente.
Na galeria de nossos mitos, Uiara aparece como a Ninfa das Águas, tendo características ao mesmo tempo de mulher e homem. Mulher para seduzir os homens e homem para seduzir as mulheres. Apresenta, portanto, propriedades andróginas, diferente de outras figuras do lendário aquático.
Há estudiosos, que acreditam que a lenda do boto seja a masculinização de Iara. O assunto em verdade comporta discussão, dado ao grande número de conjecturas e contradições. Iara, ao meu ver, nada tem a ver com a lenda do boto. Ela é uma deusa das águas fluviais, ondina, sereia e Mãe D'água, portanto sua divindade feminina lunar. Já o boto é uma divindade masculina solar. O certo, é que a nossa Iara aparece tanto sob a forma de uma bela mulher, como a forma de um homem que desvia e arrebata donzelas.
Verifica-se que as nossas Iaras correspondem ao mito da Iemanjá e é também a mesma sereia dos tempos gregos, metade mulher e metade mulher que Ulisses encontrou no mar e aquela mesma Lorelei, a fada da Germânia. Quem olha descuidadamente o espelho do rio ou da lagoa, verá a Iara em sua deslumbrante beleza, ela abrirá os olhos como um doce convite e atrairá a vítima, levando-a para o fundo de seu palácio encantado-a e matando-a no arrebatamento delicioso das núpcias funestas.
Conta a lenda amazônica que uma noite um índio sonhou com uma bela mulher de cabelos loiros, olhos azuis e pele muito clara. Tal fada estava à entrada de um imenso castelo de cristal recoberto de ouro e safiras de onde vinha uma música celestial. O jovem apaixonou-se à primeira vista e ouviu a linda mulher lhe propor amor eterno. Um dia navegando pelo rio, o índio viu formar-se sobre as águas uma choupana e, por detrás da janela, apareceu a mulher de seus sonhos que lhe sorria.
Apaixonado e enfeitiçado foi até a choupana que flutuava sobre as águas. O pai do índio pode ver que o corpo da mulher tinha uma cauda, igual a de um peixe, e que, agarrando seu filho, se jogou na água, mergulhando para nunca mais voltar.
Alguns indígenas e caboclos juram já ter visto a Iara, em muitos rios e igarapés. A crença neste mito é tão grande, que, pelos lugares em que mora a Iara, segundo a tradição, ninguém tem coragem de passar em determinada hora da tarde. Em algumas ocasiões, comenta-se, ela mostra-se com pernas para logo em seguida transformar-se em sereia. É nesta forma que atrai suas vítimas. Para livrar-se do poder de sedução de Iara, aconselham os indígenas, deve-se comer muito alho ou esfregá-lo por todo o corpo.
Numerosas são as lendas em torno de Iara, seus encantamentos e artimanhas. É o mito que mais inspirou poetas brasileiros. José de Alencar, por exemplo, incluiu no romance "O Troco de Ipê" um conto sobre a Mãe-d'água, em que figura um palácio de ouro e de brilhantes no fundo do mar.
O ARQUÉTIPO DA TRANSFORMAÇÃO
A canção das sereias chama o homem para abandonar-se e lançar-se ao fundo do rio para morrer e emergir em uma nova vida com um novo entendimento. As sereias são criaturas da água, que por sua vez possuem um valor simbólico de longo alcance. Para água, convergem uma dualidade, ela nos dá comodidade e elasticidade, assim como é fonte de abundância. É a água que usamos no batismo e representa a purificação e renovação espiritual. Mas a água também é destrutiva nas inundações e nos afogamentos, que aniquilam e matam. As sereias incorporam todas estas qualidades e são símbolos tanto da morte, como da imortalidade. Elas clamam pelo homem ao desconhecido, impulsionando-o a abandonar o que é, para transformar-se em algo novo. O medo das sereias é o medo da transformação, o medo de aprender, o medo de perder o controle, o medo de ascender ao inconsciente.
No livro de M. Esther Harding, "Os Mistérios da Mulher", está descrita uma impressionante associação entre as fases da lua com as fases da deusa. A cada fase da lua, conta, a deusa veste um diferente traje de escamas, que é o traje de seu instinto.Os peixes eram dedicados a Atárgatis, a deusa lua de Ascalon, uma das formas de Ishtar, que era algumas vezes representada com rabo de peixe. Esta representação refere-se a extrema inconsciência do instinto feminino. Aqui a satisfação do instinto é essencial, não importando as conseqüências do tal ato.O aspecto deusa-sereia corresponde ao período da Lua Escura, onde ela está inteiramente sob o domínio do instinto. Esta fase pertence à esfera dos mistérios da mulher e, para um homem olhar para a ela nestes dias, significa "doença e morte", pois estará agindo como fêmea, desprezando qualquer consideração humana.
É a "Viúva Negra" nos seus melhores dias. Muitas mulheres não estão conscientes do poder desta qualidade feminina e então, um efeito desastroso pode ocorrer em virtude de sua desatenção ao papel de destruidora de seu amor. Mas há também algumas, que conscientes do seu poder sobre os homens o usam inescrupulosamente para vantagens pessoais. Para aceitar o poder desta Lua, sem se deixar sucumbir a ele, é necessário autodisciplina e sacrifício do auto-erotismo.
Uma mulher que se confronta com tais aspectos na escuridão de seu coração pode aprender a lidar melhor com este conflito em vez, de tornar-se responsável de atitudes irreconciliáveis e opostas. Em verdade, esta energia instintiva se transformará em algo bom e utilizável na vida. Esta energia fluirá naturalmente em seus relacionamentos aprofundando-os, ou pode tornar-se um escape direcionado à um trabalho criativo, ou ainda, suprirá a força motriz que torna possível a construção de uma personalidade mais completa, fundamentada tanto no lado sombrio quanto no aspecto luminoso.
A LENDA DA FADA-RAINHA ALAMOA
Era Fernando de Noronha, em tempos longínquos, um lindo reino encantado de fadas.
Havia na ilha uma rainha-fada loira, de beleza deslumbrante. Seu palácio magnífico, situado no alto de uma colina verde, era um eterno deslumbramento.
Todos os dias, das manhãs ensolaradas, a fada-rainha de cabelos cor de ouro passeava pelos seus vastos domínios, que seu poder cobria de palácios, de primavera e flores. Nunca faltavam, pendentes das ramadas, a policromia das inflorescências e a abundância das bagas amadurecidas. A renda das espumas do mar era um bordado contínuo em torno da ilha, uma delicada teia que se fazia e se desfazia.
Mas as quilhas das caravelas começaram então a sulcar e desvirginar as águas do Atlântico, além da linha do Equador. O Cruzeiro do Sul começou a ser avistado por olhos estrangeiros.
O reino encantado, desencantou-se. Os palácios foram convertidos em massas negras de basalto e suas galerias foram transformadas em rochedos.
Mas a fada-rainha loira não deixou sua amada ilha. Seu palácio soberbo foi metamorfoseado no Pico e hoje ainda vaga pelos montes e praias da ilha. Por vezes, surge montada em cães selvagens que vivem nos altos montes, como o morro Francês e o monte Espinhaço do Cavalo, soltando longos e sinistros uivos. É a fada-rainha Alamoa, que vai passando!
Todas às sextas-feiras, a pedra do Pico se fende, e na chamada Porta do Pico aparece uma luz. A fada Alamoa sai para visitar as redondezas. A luz atrai sempre muitas mariposas e também a todos que passeiam próximos ao lugar. Quando um desses se aproxima da Porta do Pico, vê uma mulher loira, nua, com o corpo coberto só pelos seus cabelos que descem quase ao chão.
Os habitantes de Fernando de Noronha chamam-na Alamoa, corruptela de alemã.
A Alamoa é uma fada que após a ocupação batava, no século XVII, resolveu vingar-se da invasão humana aos seus domínios. Aparece a qualquer passante incauto como uma mulher extremamente sedutora e o chama com uma voz quente e apaixonante. Todo aquele que não resiste a sua fascinação é levado até a Porta do Pico. Entretanto, quando o homem escolhido está crente de ter entrado em um palácio, para usufruir das delícias daquele corpo fascinante, a Alamoa se transforma de repente em uma caveira. Os seus lindos olhos, que tinham o brilho das estrelas, agora são dois buracos horripilantes. A pedra do Pico se fecha e o louco apaixonado desaparece para sempre. A angústia de seus últimos gritos ainda ressoará por alguns dias, escapando-se das fendas profundas do monte e indo misturar-se ao uivo dos cachorros selvagens e ao silvo dos ventos do sueste.
Alamoa, de acordo com os relatos é uma fada solitária que teve penetrado, sem o seu consentimento, o seu reino encantado. O homem ao perturbar a ordem e a harmonia das coisas, atrai para si a hostilidade da natureza, sendo assim, a linda fada ofendida com a atitude humana, pode metamorfosear-se em uma bruxa repugnante.
A fada sabe o que é bom para ela e o que é bom para nós. Ela é o espelho de nossa alma, que pode ser bela ou feia, dependendo do nosso interior. Aceitá-la do modo que se apresenta, nos conduzirá para a grande realização de nós mesmos.
As lendas como a da Alamoa são tão naturais quanto a paisagem e devem ser cultivadas como um terreno sagrado. A dignidade, a beleza e a sabedoria das lendas não devem ser diminuídas pela arrogância do homem, pois são elas que habitam o eterno.
AS ENCANTADAS
Várias tribos indígenas se espalharam pelas planícies e planaltos do Paraná. Diante da beleza de sua geografia, os índios não se contentaram em apenas admirá-las, queriam saber a origem das cachoeiras, rochedos, grutas, fauna e flora. Assim, com os recursos de sua cultura, seus valores e seu imaginário, surgiram as nossas primeiras lendas paranaenses. Entre elas, a Lenda das Encantadas:
Contam os Caigangues do Paraná, que há muito tempo atrás, na Praia das Conchas, ao sul da Ilha do Mel, na gruta das Encantadas, viviam lindas mulheres que bailavam e cantavam ao nascer do Sol e ao crepúsculo. Dizem que o canto delas era inebriante, dormente e perigoso para qualquer mortal. Se um pescador as escutasse, por certo perderia o rumo de sua embarcação, indo bater nas rochas e naufragar. Entretanto, certa vez, um índio corajoso e destemido aventurou-se a tentar se aproximar delas. Colocou-se à espreita no alto do rochedo.
Quando os primeiros raios multicoloridos de luz despontavam ao leste, o jovem começou a ouvir a suave e doce melodia proveniente do interior da gruta. E mulheres nuas, desenhadas de sombras, foram surgindo. À medida que as bailarinas alcançavam a boca da gruta, o canto tomava mais ênfase, mais intensidade:
"Cagmá, iengvê, oanan eiô ohó iá, engô que tin, in fimbré ixan an ióngóngue, iamá que nô ô caicó, katô nô ó eká maingvê..."
Queriam dizer... " Passe com cuidado a ponte. Viva bem com os outros; assim como eles vivem bem, você também pode viver. Lá você há de ver muita coisa que já viu aqui em minha terra, assim como o gavião. Teus parentes hão de vir te encontrar na ponte e te levarão com eles para tua morada."
Estranhamente o índio não adormeceu, justo o contrário, não desgrudou o olho do belo ritual. As misteriosas moças eram dotadas de tão rara beleza, nuas e com longos cabelos de algas, que o intruso acabou fascinado por uma das dançarinas, a que tinha os olhos cor de esmeralda. Tal era o seu fascínio, que despencou do rochedo, ganhou aos trambolhões a prainha, metendo-se de permeio na farândola, acabando de mãos dadas com a sua escolhida. Declarou-se apaixonado por ela, e confiou-lhe o seu desejo de permanecer a seu lado por toda a eternidade.
Por artes de Anhangã, a bailarina falou-lhe na língua que era a sua.
- Tens de partir, homem estranho! Gosto de ti, mas tens de partir!
- Nunca! Nunca! arredarei os pés de perto de ti, meu amor! Roga ao teu deus que me permita gozar de teu carinho e da tua eterna companhia
- Para que vivas comigo é necessário que morras...
- Morrerei, se isto é preciso..
- Vem, então, meu doce amor...
A fonte da vida nos chama... partamos...
Mãos entrelaçadas, ao canto fúnebre das dançarinas, os jovens entraram águas a dentro e quando desapareceram, já o sol era vitorioso.
As Encantadas sumiram nas águas profundas, para nunca mais aparecer.
E, desde então, a gruta está solitária, e nela ecoam se quebram os ecos dolentes e eternos do mar.
As sereias são servas da Deusa da Morte (Perséfone) e foram encarregadas de levar-lhe almas. Este é o motivo pelo qual atraem marinheiros com o poder arrebatador de seu canto, levando-os à destruição nas rochas que se ocultam nas águas de seu recanto costeiro.
As Encantadas são Deusas-Sereias do mar e como tais, nos mostram o elemento destruidor negativo que pode se manifestar quando seguimos irrefletidamente intuições e inspirações. Isso nos parece familiar quando pensamos nos artistas e pessoas criativas que se destroem por darem ouvido a essas vozes espectrais, deixando-se arrastar pelas "Sereias" que habitam a nossa psique. Já outros, entretanto, são capazes de usar a intuição de forma positiva e, por vezes, uma torrente de energias criativas parece derramar-se deles.
"Era uma vez...Dois olhos marinheirosentre o fluxo e o refluxona paisagem retrataram:Ao clarão de um relâmpagonuma gruta se escondiamas mais lindas sereiasO mar com sua força brutapelas gretas penetroue aquelas virgens belasnum só coito violentouHouve um silêncio profundo...e as nereidas possuídasos olhos cheios de amorescantaram suaves cantigasencantando os viajoresComo todas as estóriasdepois do que se passouGruta das Encantadasessa gruta se chamou"
Alberto Cardoso
É importante resgatarmos essas lendas, procurando incentivar os detentores desse conhecimento, sensibilizando-os a continuar transmitindo aquilo que sabem, ou aquilo que ainda lembram.
Não deixe este sonho acabar...!
DEUSA AFRODITE
Virgem que veio do mar
Estrela sempre luminosa da manhã
Deusa radiante da beleza feminina
Amante do encanto virginal da sensualidade
Vênus eterna da tolerância e beleza
Baila na luz, oculta dentro de nossos olhos
Sensualidade feminina
Eternamente revelada na mulher.
O amor atraído por Afrodite é grande...é apaixonado...é verdadeiro.
Afrodite é o arquétipo da sexualidade e da sensualidade.
Há duas versões sobre o nascimento biológico desta deusa. Na versão de Homero, Afrodite nasce de modo convencional, como sendo filha de Zeus e Dione, ninfa do mar. Já na versão de Hesíodo, ela nasce em conseqüência e um ato bárbaro. Cronos, cortou os órgãos de seu pai Urano e os atirou no mar. Uma espuma branca surgiu em torno deles e misturando-se ao mar, gerou Afrodite.
A imagem de Afrodite emergindo do mar foi imortalizada durante a Renascença por Botticelli em "O nascimento da Vênus". Esta pintura mostra uma mulher nua, delicada e graciosa, sobre uma concha, sendo levada para a praia pelos deuses do vento e uma chuva de rosas.
Afrodite desembarcou em terra firme na ilha de Cítera ou em Chipre. Depois foi acompanhada por Eros (Amor) e Hímeros (Desejo) até à assembléia dos deuses, onde foi muito bem recebida.
Afrodite teve muitos amores, entre eles Ares, deus da guerra. Com ele ela teve três filhos: uma filha, Harmonia e dois filhos, Deimos (Terror) e Fóbos (Medo). A união entre estes dois deuses, o amor e a guerra, são duas paixões incontroláveis, as quais se em perfeito equilíbrio, poderiam estabelecer a harmonia.
Afrodite também uniu-se a Hermes, que era um deus Hermafrodito. Como um símbolo, este deus pode representar a bissexualidade ou a androginia.
Eros (Cupido), deus do amor, foi o filho mais famoso de Afrodite. Armado com seu arco, desfechava as setas do desejo no coração dos deuses e dos homens. Carl Jung definiu Eros como a capacidade de relacionar-se, a qualidade de ligar-se aos outros. Segundo Hesíodo, Eros foi a força fundamental da criação, presente antes dos titãs e dos deuses olímpicos.
SEUS AMORES MORTAIS
Sob o nome romano de Vênus, viu Anquines cuidando de seu gado em uma certa montanha, enamorou-se . Fingindo ser uma jovem muito linda, arrancou fervorosa paixão dele. Mais tarde, revelou sua real identidade e contou que concebera um filho, Enéias, que foi o lendário fundador de Roma.
Os romanos consideravam Vênus sua mãe ancestral e a cidade de Veneza recebeu este nome em sua homenagem.
Um dos seus amantes mais famosos foi Adônis, um caçador corajoso e extremamente belo. Afrodite temendo por sua vida, avisou-lhe para que evitasse as bestas. Certo dia, enquanto caçava, seus cães afrontaram um javali feroz. Adônis feriu o animal e isto provocou que a besta se voltasse contra ele despedaçando-o. Depois de sua morte, entretanto, foi permitido a Afrodite, que em determinada época do ano, Adônis voltasse para ela. Este retorno simbolizava a volta da fertilidade e também era toda a base do culto de Adônis. Pode representar ainda, um desejo de amar de novo.
Afrodite era adorada em templos de Pafos, Chipre, Citera e Corinto. Ela sempre renovava sua virgindade, banhando-se no mar de Pafos. Antes de cada amor, fazia-se uma nova mulher. Quando uma mulher se torna outra nova mulher? Somente quando esta mulher obtiver a consciência de que ela é metade de uma parte inteira.
Afrodite é uma divindade da Lua Cheia, a qual sustenta e nutre a vida. Seus poderes são maduros, cheios de vida e poderosos, mas ela também protege ferrenhamente tudo aquilo que cria. Por simbolizar o amor e a fertilidade, seus símbolos são as vacas, cervos, cabras, ovelhas, pombas e abelhas.
ARQUÉTIPO DA SENSUALIDADE
Quando uma mulher apaixona-se por alguém e é correspondida, obtemos a personificação do arquétipo de Afrodite. Incorporando um corpo mortal, a deusa do amor se sente atraente e sensual, tornando-se desse modo, irresistível.
Quando Afrodite está ativa e presente em nosso íntimo, um magnetismo pessoal nos induz a caminhar em um campo eroticamente carregado de intensa percepção sexual. Nos tornamos mais "quentes", atraentes e vibrantes. Há uma magia no ar e um estado de encantamento e louca paixão é evocado.
É a energia sutil de Afrodite que nos faz ver o mundo não como algo codificado, mas sim, se apresentando com uma fisionomia, um rosto, revelando sua imagem interior. É só através dos olhos de Afrodite que vislumbramos o mundo nas suas diversas e infindáveis cores, cheiros, sabores, sons...
Perder esta deusa é morrer no deserto árido, seco, sem cor, sem vida. Afrodite é uma necessidade imperativa. Ela é a Beleza e a Deusa Dourada que nos sorri. É somente através dela que os outros deuses se manifestam e deixam de ser meras abstrações teológicas.
Se o mundo é tão belo, por que não sofisticarmos nossa percepção? Perceber é o modo de conhecer o mundo e, a nossa deusa Afrodite é pura sedução e nos revela a nudez das coisas, de modo a nos mostrar a sua imaginação sensual.
AFRODITE E A LÍNGUA DAS FLORES
As flores sempre foram associadas a todas as deusas do amor e beleza, pois elas representam a sexualidade da natureza. Elas representam os órgãos sexuais mais belos que conhecemos. A associação simbólica das flores e os órgãos sexuais de uma mulher está em sua natureza delicada, na maneira pela qual brota, floresce e abre-se, fazendo-se vulnerável para a polinização e fertilização com outras. É exatamente este o motivo pelo qual as flores são o presente mais comum ofertado entre amantes, pois simboliza a beleza da sexualidade humana.
As principais flores associadas com Afrodite são: a rosa vermelha, o jasmim, a orquídea, papoulas e o hibisco.
AFRODITE EM NOSSAS VIDAS
Afrodite é a deusa das pombas, dos cisnes, das rosas, das maçãs e de todas as coisas graciosas e criativas. Você está passando por algum trauma momentâneo? Ou você não se considera bonita o bastante? Pois Afrodite chega em nossas vidas para nos ensinar a dança do amor. Nos fará recuperar o respeito próprio e aprenderemos a nos aceitar como realmente somos. Toda a mulher que deseja buscar a consciência perdida de Afrodite precisa começar a amar e acalentar o seu corpo, tal como ele é. E, os homens também, precisam parar de comparar toda a mulher com um retrato interior imaginário e inatingível que trazem dentro de si.
O primeiro passo para explorar este domínio perdido é através da dança. Dance em sua casa ou saia para dançar, este é um dos melhores remédios para nos aceitarmos e nos conhecermos melhor. Quando estamos em harmonia com nosso corpo um grande milagre se opera: começamos a sentir verdadeiramente. Há uma espécie de derretimento de defesas interiores e uma abertura se concretiza, liberando uma sensibilidade à disposições e atmosferas mais sutis.
Afrodite nos presenteará com um carisma magnético que nos permitirá expressar-nos por inteiro. Vale a pena tentar!
DANÇANDO COM AFRODITE
Deite-se e relaxe. Inspire e expire profundamente por seis vezes.
Em seguida imagine-se em um jardim cheio de rosas e orquídeas, douradas pelo pôr-do-sol, cujo perfume é carregado por uma suave brisa primaveril. Tal brisa acariciará seu rosto, massageará seus cabelos, e seu corpo. Delicie-se ingenuamente e chame Afrodite. Um movimento sutil no ar anunciará sua presença. Ela lhe estenderá a mão e a convidará para um passeio. Vislumbrará então uma grande floresta, um de seus locais de poder. Neste templo de árvores e pássaros, respire profundamente o cheiro da terra e o perfume das flores selvagens. Escute a música delicada dos pássaros. Afrodite lhe ofertará um presente: uma orquídea. Sinta e incorpore o seu aroma. Neste momento uma pomba pousará em seu braço. No olhar deste mágico ser você poderá compreender a beleza misteriosa da deusa Afrodite. Vários pássaros a sua volta cantarão uma linda uma linda melodia. Você deve dançar. Afrodite dançará com você e da floresta surgirão as graças e outras musas que dançarão também com vocês.
Visualize o infinito, pois a partir deste momento você terá em sua vida infinitas possibilidades de ser feliz, sendo você mesma, se assumindo, se aceitando e se amando.
Sinta o encanto, o prazer e a magia de ser você Por onde você pisa, brotam flores de todas as cores. Onde você passar neste mundo, despertará o amor e a beleza e sentirá feliz por ser você e estar viva.
Quando achar que está pronta, abrace Afrodite e agradeça os momentos maravilhosos que passaram juntas. Ela lhe conduzirá até a saída da floresta e depois você virá sozinha. Respire profundamente novamente e abra os olhos. Feliz retorno!
CRISTAL DE AMOR DE AFRODITE
Os cristais possuem o poder oculto de estimular o amor entre casais. Eis aqui um sortilégio de amor que usa um cristal de quartzo rosa, pedra de Afrodite. Ele é simples, mas eficiente.
Pegue o seu cristal e banhe-o em solução de água com sal marinho. Em seguido embrulhe-o em um pano branco até a hora de realizar o sortilégio. Deste modo, limpará e neutralizará todas as energias indesejáveis.
Depois deste tempo, pegue o cristal e carregue-o segurando-o em sua mão, para impregná-lo de sua energia e absorver a dele. Solicite neste momento, os poderes da Deusa Afrodite e que ela lhe traga a pessoa que seja correta e destinada para você.
Coloque o cristal em uma bolsinha de cetim vermelha, cobre ou verde. Você pode comprar o cetim e fazer você mesma (terá mais poder). Deve atar os quatro cantos do tecido unindo-os com um cordão da mesma cor.
DIA DOS NAMORADOS COM AFRODITE
Comemore o dia dos namorados com Afrodite. Que deusa melhor do que ela para compartilhar um dia tão romântico?
Em primeiro lugar, em honra a deusa Afrodite adorne seu quarto com rosas vermelhas e queime um incenso desta mesma essência.
RITUAL DE BANHO
Uma das conexões com a deusa Afrodite é através de um simples banho. Recordando seu mito de nascimento, onde ela surgiu da espumas do mar, você pode praticar este ritual numa praia, rio, na banheira e até no chuveiro.
Inicie este seu maravilhoso dia com um gostoso banho. Se puder, polvilhando-o com pétalas de rosas vermelhas, declarando mentalmente toda a sua paixão e desejo. Comece então molhando seu cabelo. Deixe ou faça a água gotejar sobre seu corpo. Sinta-se e diga que é tão bela e atraente quanto Afrodite. Permaneça um bom tempo mergulhada neste tipo de pensamento, depois pode pegar a toalha e enxugar-se.
A seguir faça uma delicada massagem facial-corporal com óleo de essência de rosas. Deste modo, liberará todas as suas tensões e o odor de rosas se exalará invocando assim todos os seus efeitos aromáticos que são afrodisíacos.
Coloque sua melhor roupa e saia para comprar o presente de seu amado. Você não tem um? Tudo bem, deve sair mesmo assim e comprar um presente especial para você. Neste caso, busque roupas e acessórios que você nunca teve coragem de usar antes. INOVE! Escolha algo que lhe deixe atrevidamente sensual. Achou? Pois à noite será a hora de vesti-lo e badalar. Talvez seja hoje o dia que Afrodite lhe trará seu principie encantado, retirando todos os "sapos" que insistem em cruzar seu caminho. Quem sabe?
O AMOR ESTÁ NO AR...
O amor está no ar e no perfume de cada dia.
Já foi cientificamente comprovado que o aroma desempenha um papel importante no contexto da atração sexual. O caminho do coração, passa com certeza, primeiro pelo nariz. Uma presença marcante, só se faz através de um perfume de mesmo porte. Portanto, sempre recomendo para que toda mulher eleja um fragrância de seu agrado e lhe seja fiel. Ela deve ser reconhecida por um cheiro particular.
Mas existe também uma poção mágica que pode ativar os poderes afrodisíacos de seu perfume habitual, sem alterar suas características naturais, que consiste em se acrescentar:
1/4 de óleo da patchulli
1/4 de óleo de benjoim
1/4 de óleo de loto
1/4 de óleo de heliotrópio
1/4 de óleo de lírio florentino
1/4 de azeite de oliva
Misture todos os ingredientes acima. Adicione à mistura o seu perfume ou colônia preferida.
JANTAR PARA UM AMOR MAIS RECEPTIVO
Depois do nariz, a parte mais vulnerável do homem é o estômago. Então, neste dia dos namorados é a hora certa de preparar-lhe aquele jantarzinho muito especial.
Decore sua mesa com muito amor cobrindo-a com uma toalha cor-de-rosa. Adorne com um centro de mesa com rosas vermelhas ou papoulas, acrescentando duas velas da mesma cor. Nelas você deve escrever as iniciais dos dois nomes. Primeiro o dele e depois o seu em cima. Elas simbolizarão o desejo ardente mútuo.
Perfume o ambiente com um incenso de rosas vermelhas.
Prepare ou compre uma torta de maças. Tenha disponível uvas e morangos, que deverão ser mergulhados em chocolate, para no término do jantar, num momento mais íntimo serem brindados com champanhe. Tribos indígenas da América do Sul, costumavam usar o chocolate para cobrir suas zonas erógenas. Tornavam assim, os beijos mais doces e agradáveis. O chocolate é considerado o alimento de Vênus.
Prepare um jantar simples, mas não esqueça de usar manjericão, erva tradicional que deve ser sempre acrescentada em refeições de amor. Se servir alguma salada, ela deve ser temperada com vinagre rosa.
A DEUSA HERA
Hera para os gregos, Juno para os romanos, a Rainha do Olimpo, governava junto ao seu marido Zeus. Ela era filha de Cronos e Réia, a Grande Mãe deusa titã e foi criada na Arcádia. Teve como ama as Horas, ou as Três Estações.
O pouco que se sabe sobre ela provém de "Ilíada" de Homero, onde ganha fama de esposa ciumenta. O que descortina-se entretanto, é que em culturas patriarcais antigas, os homens tinham por regra, satirizar toda e qualquer mulher que alcança-se algum poder.
Se Hera foi uma mulher disposta à contendas conjugais, realmente é porque ela estava coberta de motivos. Zeus era um homem libertino, promíscuo e infiel. Praticamente nenhum de seus filhos foram concebidos dentro dos limites de seu casamento oficial. O único deus que nasceu da união legítima de Zeus e Hera foi Ares, o deus da guerra, o mais medíocre dos deuses gregos. Visualiza-se aqui uma sociedade contemporânea, configurada em uma família patriarcal. Zeus é o pai, o chefe, o "cabeça do casal". Muito embora os conflitos persistentes, a supremacia de Zeus é escancarada.
Zeus, pai dos deuses e dos homens era um nódico. Ele e sua paternidade de Wotan (Odin), vieram do norte junto com demais tribos, cujo o sistema social era patrilinear. Já Hera, representa um sistema matrilinear. Ela era a Rainha de Argos, em Samos e possuía no Olimpo um templo distinto de Zeus e anterior a este. Seu primeiro consorte foi Heracles. Quando os nórdicos conquistadores chegam a Olimpia, massacram a população e concedem às mulheres a lúgubre escolha entre a morte ou a submissão à nova ordem. Hera reflete, portanto, uma princesa nativa que foi coagida, mas não subjulgada por este povo guerreiro. Assim, sabe-se agora o devido motivo porque o único filho de Zeus e Hera tenha sido Ares, o deus da guerra. Realmente Zeus e Hera viviam em "pé de guerra"dentro do Olimpo.
Hera foi extremamente humilhada com as aventuras de Zeus. Ele desonrou o que ela considerava de mais sagrado: o casamento. Favoreceu seus filhos bastados em detrimento de seu legítimo e pisoteou seu lado feminino quando ele mesmo deu à luz a sua filha Atenas, demonstrando que não precisava dela nem para conceber.
Nos dias atuais, embora a mulher através de árduas penas tenha conquistado seu espaço, os casamentos não se modificaram tanto assim. Permanecemos em uma sociedade patriarcal e o casamento ainda é considerado como uma instituição de procriação.
As mulheres continuam a sofrer violências domésticas e profissionais e a busca do tão almejado casamento por amor com satisfação sexual plena é castrado pelas concepções obsoletas cristãs. Mas, muito embora todas estas limitações e deficiências do casamento, a mulher sente-se profundamente atraída por ele. Romanticamente todas sonham em compartilhar a tarefa de criar seus filhos e estabelecer uma unidade chamada "família".
DEUSA TRÍPLICE
Na Arcádia, ao ser celebrada como a Grande Deusa dos tempos pré-homéricos, Hera possuía três nomes. Na primavera era Hera "Parthenos" (Virgem). No verão e no outono tomava o nome de Hera "Teleia" (Perfeita ou Plena) e no inverno chamava-se Hera "Chela" (viúva). Hera, a antiga deusa tríplice não tinha filhos, de modo que, os mistérios da maternidade não estão aqui simbolizados, mas sim os mistérios das fases da mulher "antes" do casamento, na "plenitude" do casamento e "depois" na viuvez. As três facetas de Hera também ligam-se às três estações e às três fases da Lua.
Hera renovava anualmente a sua virgindade banhando-se na fonte Cânata, perto de Argos, local consagrado especialmente a ela. Assim, vemos que ela traz em si o arquétipo da eterna renovação, semelhante ao ciclo da Lua em suas fases. Através deste ato, ela une o ciclo lunar, o ciclo menstrual e o ciclo anual da vegetação.
ARQUÉTIPO DE HERA
Jung nos afirma que nenhum de nós chega a totalidade enquanto não vivenciar os aspectos femininos e masculinos da natureza interior. Para tanto, toda a mulher deve "casar"com seu "animus" e todo o homem deve fazer o mesmo com a sua "anima".
Ao contrairmos um casamento no mundo exterior, significa dizer que encontramos um parceiro(a) que reflete os nossos traços sexuais opostos interiores.
Toda a mulher-Hera sabe que o casamento é o caminho pela qual se chega à inteireza e plenitude. O arquétipo de Hera leva à mulher a estabelecer um pacto de lealdade e fidelidade com seu companheiro. Uma vez casada é "para sempre", ou até que a morte os separe. Hera não é um "clone" feminino dos ideais masculinos, mas sim a personificação do "feminino maduro", que sabe o que quer e só sentirá completa através do "sagrado matrimônio".
Hera estabelece o arquétipo da relação homem-mulher numa sociedade patriarcal, como esposa e companheira ideal. Assim, é uma deusa do casamento, da maternidade e da fidelidade, além de ser a guardiã ciumenta do matrimônio e da hereditariedade.
O SIMBOLISMO
O seu mito era associado a vaca, o que revela o seu vínculo com a fecundidade e com o nascimento. Seus outros símbolos são a via-láctea, o lírio e a iridescente pena da cauda do pavão, que continha olhos, simbolizando a cautela de Hera.
A vaca sempre foi associada à deusas da Grande-Mãe como provedoras e nutridoras, enquanto a via-láctea, em grego gala significa "leite da mãe", reflete uma crença anterior às divindades olimpicas, de que ela surgiu dos seios da Grande Mãe. Isso depois torna-se parte da mitologia de Hera, que conta que o leite que jorrou de seus seios formou a via-láctea. As gotas que caíram sobre a Terra tornaram-se lírios, símbolo do poder de autofertilização feminino da deusa.
HERA HOJE: MULHER FÁLICA
O arquétipo de Hera só se manifesta nas mulheres na segunda metade da vida. Basicamente a mulher-Hera quer duas coisas: igualdade e parceria. Para justificar suas aspirações tenderá enfatizar o conceito de dever no seu casamento. A esposa-Hera é muito extrovertida, o que significa dizer que é muito sociável, gosta de interagir com outras pessoas. Ela foi criada para sentar-se ao trono ao lado do marido. Aquela história de que atrás de um homem existe uma grande mulher, é a mais pura verdade e ela é uma Mulher-Hera. O que acontece entretanto, que raras as vezes políticos e governantes aceitam compartilhar seu poder com suas esposas, o que pode levá-las à completa frustração.
Quando os gregos começaram a mencionar e documentar os conflitos conjugais entre Zeus e Hera, estivessem aludindo as tensões que podem nascer não apenas do relacionamento entre os sexos no casamento, mas também da inevitável desproporção entre o poder público e o poder privado. Por debaixo desta dinâmica é fácil visualizar as rixas entre Hera e Zeus.
Desde a época das "Mulheres Megéricas de Shakespeare, a mulher-Hera tem assombrado a sociedade. Os psicanalistas as chamam de "mulheres fálicas", que esboçam uma associação psicológica com a mulher-Amazona. Caso seu impulso fálico seja desdenhado por uma parceria desigual, ela entra em colapso, poderá perder o controle e acabar sendo impelida por aquilo que deseja controlar. Os junguianos denominam este fato como "possessão de animus", quando o lado masculino frustrada da mulher, destrutivamente governa os vários aspectos de sua vida íntima. Quem teve a oportunidade de ver o filme "Atração Fatal", sabe a que me refiro.
MEDITANDO COM HERA
As mulheres-Heras são anciãs sábias que já alcançaram a comunhão espiritual com a Grande Mãe. Medita-se com Hera para contatar a nossa Deusa Interior e buscar um novo Renascimento.
Encontre um local reservado em sua casa para este ritual. Crie condições que lhe propiciem esta viagem, acendendo um incenso ou uma vela e colocando um relaxante som ambiental. Sente-se confortavelmente com a coluna ereta e feche os olhos. Inspire e expire profundamente através de uma respiração abdominal. Já soltando o corpo e girando o pescoço no sentido horário. A seguir, no sentido anti-horário. Comece então a visualizar um caminho que a levará ao topo de uma montanha. Lá surgirá entre uma névoa o Templo de Hera. Caminhe por entre as colunas e vá até seu trono. Curve-se diante dela demonstrando respeito. Ela descerá de seu trono e virá recebê-la. Beije sua mão e ela a abraçará. Em seguida será encaminhará pelas escadarias e a colocada em seu trono. Sente-se, sem receio. Hera perguntará a você agora, o que faria se fosse lhe concedido o benefício de ser rainha por um dia. É hora de você avaliar sua vida e verificar tudo o que gostaria ainda de fazer para ajudar em primeiro lugar a si mesma e depois aos outros. Pense baixo ou fale em voz alta, como lhe aprouver. Sinta-se Rainha e Dona não só de seu interior como do mundo. Inspire e expire este poder.
Refaça suas escolhas, reorganize sua essência, reprograme sua mente, mas acima de tudo defina um propósito de vida e prepare-se para incorporar uma nova mulher. Suas derrotas ou vitórias dependem do grau de intensidade do seu sentir e do seu referencial interno sobre o mundo. Você como rainha tem o mundo em suas mãos e souber administrar este poder com os olhos do coração, entenderá que o bom o ruim são apenas manifestações que não estamos aptos a aceitar.
Quando você se achar pronta, levante-se do trono e agradeça à Hera esta rara oportunidade. Ela lhe acompanhará até a entrada do templo e você seguirá sozinha o resto do caminho. Volte a inspirar e expirar vagarosamente sentindo seu coração lotado de prazer. Abra os olhos e se espreguice. Recomece neste instante uma nova vida, mais aberta à capacidade de transformação.
PERSEFONE
Para os gregos, Perséfone era a Rainha distante do Mundo Avernal, que vigiava as almas dos falecidos. Mas, para os romanos, ela era conhecida também como a virgem, donzela, Core, associada com os símbolos de fertilidade: romã, o grão, o milho, e ainda, com o narciso, a flor que a atraiu.
Seu seqüestro realizado por Hades e sua descida ao mundo avernal, é a história mais conhecida de toda a mitologia grega. Embora Perséfone não fosse um dos doze deuses olímpicos, foi a figura central nos Mistérios de Elêusis, que por dois mil antes do cristianismo foi a principal religião dos gregos. Nos Mistérios de Elêusis os gregos experienciaram a renovação da vida depois da morte através da volta anual de Perséfone do Inferno.
MITOLOGIA
Perséfone foi a filha única de Deméter e Zeus. A mitologia grega é incomumente silenciosa quanto às circunstâncias de sua concepção.
No início do mito, Perséfone era uma garota despreocupada que colhia flores e brincava com suas amigas. Então Hades apareceu repentinamente em sua carruagem por uma abertura da terra, pegou a jovem à força e a levou de volta para o Inferno, a fim de ser sua noiva contra a vontade. Sua mãe, Deméter, não aceitou a situação, deixou o monte Olimpo, persistiu em conseguir o retorno de Perséfone, e finalmente forçou Zeus a considerar seus desejos. Zeus então enviou Hermes, o deus mensageiro, para ir buscar Perséfone.
Hermes chegou ao Inferno e encontrou a jovem desolada. Mas seu desespero tornou-se alegria quando descobriu que Hermes tinha vindo por sua causa e Hades a deixaria partir. Antes que ela o deixasse, contudo, Hades lhe deu algumas sementes de romã, e ela comeu. Então entrou na carruagem com Hermes, que a levou rapidamente para Deméter.
Depois de mãe e filha se abraçarem alegremente, Deméter ansiosamente indagou se ela tinha comido alguma coisa no Inferno. Perséfone respondeu que havia comido sementes de romã porque Hades a tinha forçado a come-las (o que não era verdade). Deméter teve que aceitar a estória e o padrão cíclico que se seguiu. Não tivesse Perséfone comido as tais sementes, teria sido completamente devolvida a Deméter. Entretanto, passou a ser obrigada a permanecer por um terço do ano.
Mais tarde, Perséfone tornou-se a Rainha do Inferno. Todas as vezes que os heróis e heroínas da mitologia grega desciam para o reino inferior, Perséfone lá estava para recebe-los e ser sua guia. Nunca estava ausente para ninguém. Nunca havia sinal na porta dizendo que ela fora para casa com a mãe, embora o mito diga que ela fazia isso dois terços do ano.
Na “Odisséia”, o herói Odisseu (Ulisses) viajou para o Inferno, onde Perséfone lhe mostrou as almas das mulheres de reputação legendária. No mito de Psique e Eros, a última tarefa de Psique era descer ao mundo das trevas com uma caixa para Perséfone encher de ungüento de beleza para Afrodite. O último dos doze trabalhos de Hércules também o levou a Perséfone. Hércules teve que obter a permissão dela para emprestar Cérbero, o feroz cão de guarda de três cabeças, que ele dominou e colocou em uma corrente.
Perséfone também lutou contra Afrodite pela posse de Adonis, o belo rapaz que era amado por ambas deusas. Afrodite escondeu Adonis em um baú e o mandou para Perséfone para preservação. Mas, ao abrir o baú, a Rainha do Inferno ficou encantada com sua beleza e recusou entrega-lo de volta. Perséfone agora lutava com outra divindade pela posse de Adonis, como Deméter e Hades outrora tinham lutado por ela. A disputa foi trazida perante Zeus, que decidiu que Adonis passaria um terço do ano com Perséfone e um terce do ano com Afrodite e faria o que quisesse do tempo restante.
O ARQUÉTIPO
Como vimos, Perséfone tinha dois aspectos: o de jovem e o de Rainha do Inferno. De jovem despreocupada, ela se torna a deusa madura, que acaba se tornando Rainha absoluta do Mundo Avernal, governando os espíritos mortos ao lado de seu marido, Hades, Sombrio Senhor da Morte.
Essa dualidade também está presente como dois padrões arquetípicos. Todas nós mulheres podemos ser influenciadas por um dos dois aspectos, podendo crescer um para o outro, ou podemos ser igualmente jovens e rainhas presentes em nossa psique.
Hoje em dia, cada vez mais Perséfones latentes têm buscado a literatura esotérica, as formas alternativas de cura e o que se chama de ensinamentos da Nova Era. Portanto, é oportuno penetrarmos cada vez mais na história velada de Perséfone, rainha do além-túmulo.
O mito tem muito a dizer para as mulheres da atualidade que se esforçam para compreender toda a espécie de intrigantes experiências psíquicas na natureza ou que, de uma forma ou de outra, são atraídas a trabalhar com a morte ou sofreram grandes tragédias pessoais em suas vidas.
Compreender o significado da descida de Perséfone e sua ligação espiritual é particularmente urgente. Milhares de mulheres (e muitos homens também) estão atualmente descobrindo um talento mediúnico. Além disso,, ninguém pode deixar de perceber a febre de entusiasmo pela metafísica, pelo tarô, pela astrologia, pelas curas espirituais e pela meditação, tudo isso, vagamente agrupado sob o estandarte genérico da Nova Era.
Joseph Campbell, que já foi inigualável autoridade em mito e religião, sugeriu que o despontar generalizado da consciência de Perséfone seria parte de um “crepúsculo dos deuses”.
Entretanto, devemos ter consciência, que viver boa parte da vida “entre os mortos”, pode exercer pressão sobre qualquer pessoa de temperamento mediúnico, especialmente quando estas experiências forem erroneamente interpretadas ou temidas, como costuma ser o caso.
O mundo avernal é essencialmente um mundo de espíritos e como tal, carece de ardor, afeição e se dissocia do que chamamos de realidade. A maneira de um médium lidar com este domínio de existência e com suas ameaças de dissociação psíquica, constitui, portanto, um desafio sem igual.
O segredo está em abraçarmos o lado escuro com o lado luminoso desta deusa dentro de nós. Como já disse o velho alquimista Morienus:” O portal da paz é sobremaneira estreito,e ninguém poderá atravessa-lo senão pela agonia de sua própria alma.”
O MITO ORIGINAL
Perséfone é a donzela do Renascimento e da Regeneração identificada com a Lua, a Primavera, as Serpentes e o Mundo Subterrâneo.
Como Deusa Mãe, Demeter engendra a sua filha (Perséfone) junto com a criação simbolizada na Primavera e na Agricultura. Ambas vivem juntas colocando em marcha os ciclos da vida cósmica, vegetal, animal e humana. Depois de educar e iniciar sua filha, Deméter, em sua ausência, assume seu aspecto sombrio de deusa outonal. Neste momento, ela torna-se uma anciã sábia oculta nas raízes das ervas curativas, se refugiando debaixo da terra e dentro de covas, até que o ciclo da vida se complete.
É somente com o retorno de sua filha do Mundo Avernal, e isso acontece na Primavera, é que a Mãe também volta para povoar o mundo e a vida adormecida nasce sobre a terra. As plantas florescem, as árvores dão frutos e os animais procriam. Já os humanos participam deste retorno expressando sentimentos de amor, amizade e solidariedade.
No Mito de Deméter-Perséfone visualizamos o símbolo tardio da Virgem Maria frente a seu filho crucificado (cena encontrada no filme americano “A Paixão de Cristo”), que segue ressonando na consciência das pessoas. Não existe nada mais doloroso que chorar a morte de um filho ou uma filha.
Tanto o nosso mito grego, como o cristianismo exaltam a morte injusta e a dor materna como arquétipo de amor sublime e abnegado. Entretanto, Deméter-Perséfone, nos falam de uma concepção sagrada, onde a vida e a morte fazem parte de um mesmo processo. Ambas não estão dualizadas e não funcionam como irreconciliáveis. A morte natural como a vida é uma experiência de transformação, iluminação e amadurecimento que abarcam dimensões espirituais, psicológicas e culturais das pessoas.
RITUAL DE PERSÉFONE (Realizado em Lua Crescente )
Nesse ritual, use incenso de sândalo, olíbano, cássia ou pinho. Será necessário um bastão decorado com fitas coloridas, uma cesta de vime para depositar o bastão, um sino e uma maçã.
Abra o círculo, visualizando-o circundado por um círculo de fogo. Chame pelos quatro ventos para montarem guarda.
Fique de pé diante do altar, voltado para o leste. Erga seus braços em saudação e diga:
Entre os mundos eu ergui este altar.
Fora do tempo, este rito conduz ao antigo caminho,
Onde poderei encontrar Deméter do grande Olimpo,
E conjurar alta magia. Apareça, eu ordeno.
Coloque o bastão decorado na cesta de vime e leve-a para o leste e diga:
Perséfone retorna ao Submundo.
Não pranteie, Mãe Terra,
Pois a Criança Divina do Amor está aqui.
Vire a cesta para o sul e diga:
Perséfone retorna ao Submundo
Apesar de a luz enfraquecer,
Ela retornará à Terra.
Vire a cesta para o oeste e diga:
Perséfone retorna ao Submundo.
O frio do inverno se aproxima,
Mas apenas por um breve período.
Termine voltando a cesta para o norte e diga:
Perséfone retorna ao Submundo.
A Terra permanecerá em repouso
Até que a luz de seu Filho Divino
Torne a se fortalecer e brilhe sobre nós.
Posicione a cesta no chão diante do altar. Toque o sino três vezes. Apanhe a adaga ritual com sua mão de poder e a maça com a outra. Diga:
Revele-me seus segredos ocultos
Para que eu possa
Compreender seus Mistérios sagrados.
Corte a maça na horizontal para revelar o pentagrama em seu interior. Contemple este símbolo sagrado por alguns instantes. A seguir, diga:
Na vida está a morte, na morte está a vida.
Tudo deve obedecer à sagrada dança do caldeirão,
Era após era, para morrer e renascer.
Ajuda-me a lembrar que cada início tem um fim
E que cada fim traz um novo início.
Morda um pedaço da maçã. Deixe o restante para posteriormente compartilhar com os passarinhos. Diga:
Sagrada Mãe Deméter,
Conforte-me e proteja-me em meus períodos de dificuldades,
Instrua-me nos Mistérios.
Você e sua filha Perséfone possuem o poder
Para conduzir-me a um novo entendimento.
Feche o círculo e dê por encerrado o ritual.
DEUSA ÍSIS
Eu concebi
carreguei
e dei à luz a toda vida
Depois de dar-lhe todo meu amor
Dei-lhe também meu amado Osíris
Senhor da vegetação
Deus dos cereais
para ser ceifado
e nascer outra vez
Cuidei de você na doença
fiz suas roupas
observei seus primeiros passos
Estive com você até mesmo no final
segurando sua mão
para guiá-lo para a imortalidade
Você para mim é TUDO
E eu lhe dei TUDO
E para você eu fui TUDO
Eu sou sua Grande-Mãe, ÍSIS
Nossa amada Deusa Ísis foi cultuada e adorada em inúmeros lugares, no Egito, no Império Romano, na Grécia e na Alemanha. Quando seu amado Osíris foi assassinado e desmembrado pelo seu irmão Set, que espalhou seus pedaçospor todo o Egito, Ísis procurou-os e os juntou novamente. Ela achou todos eles, menos seu órgãos sexual, que substitui por um membro de ouro. Através de magia e das artes de cura, Osíris volta à vida. Em seguida, ela concebe seu filho solar Hórus.
Os egípcios ainda mantêm um festival conhecido como a Noite da Lágrima. Tal festival tem sido preservado pelos árabes como o festival junino de Lelat-al-Nuktah.
ARQUÉTIPO DA MÃE-NATUREZA
Ísis, deusa da lua, também é Mãe da Natureza. Ela nos diz que para este mundo continuar a existir tudo que é criado um dia precisa ser destruído. Ísis determina que não deve haver harmonia perpétua, com o bem sempre no ascendente. Ao contrário, deseja que sempre exista o conflito entre os poderes do crescimento e da destruição. O processa da vida, caminha sobre estes opostos. O que chamamos de "processo da vida", não é idêntico ao bem-estar da forma na qual a vida está neste momento manifesta, mas pertence ao reino espiritual no qual se baseia a manifestação material.
Com certeza, se a morte e a decadência não tivessem dotados de poderes tão grandes quanto as forças da criação, nosso mundo inteiro já teria alcançado o estado de estagnação. Se tudo permanecesse para sempre como foi primeiramente feito, todas as capacidades de "fazer" teriam sido esgotadas há séculos. A vida hoje estaria hoje totalmente paralisada. E, assim, inesperadamente, o excesso de bem, acabaria em seu oposto e tornar-se-ia excesso de mal.
Ísis, tanto na forma da natureza, como na forma de Lua, tinha dois aspectos. Era criadora, mãe, enfermeira de todos e também destruidora.
O nome Ísis, significa "Antiga" e era também chamada de "Maat", a sabedoria antiga. Isto corresponde a sabedoria das coisas como são e como foram, a capacidade inata inerente, de seguir a natureza das coisas, tanto na forma presente como em seu desenvolvimento inevitável, uma relação à outra.
ÍSIS E OSÍRIS (segundo Plutarco)
No Egito, assim como na Babilônia, o culto da lua precedeu o do sol. Osíris, deus da lua, e Ísis, a deusa da lua, irmã e esposa de Osíris, a mãe de Hórus, o jovem deus da lua, aparecem nos textos religiosos antes da quinta dinastia (cerca de 3.000 a. C.).
É difícil fazer um estudo conciso sobre o significado do culto de Ísis e Osíris, pois, durante muitos séculos nos quais esta religião floresceu, aconteceram mudanças na compreensão dos homens em relação a ele.
Nos primeiros registros, Osíris, parece ser um espírito da natureza, concebido como o Nilo ou como a lua, o qual, pensava-se, controlava as enchentes periódicas do rio. Era o deus da umidade, da fertilidade e da agricultura. Durante o período da lua minguante, Sey, seu irmão e inimigo, um demônio de um vermelho fulvo incandescente, devorava-o. Dizia-se que Set tinha se unido a uma rainha etíope negra para ajudá-lo na sua revolta contra Osíris, provavelmente uma alusão à seca e ao calor, que periodicamente vinham do Sudão, assolavam e destruíam as colheitas da rigião do Nilo.
Set era o Senhor do Submundo, no sentido de Tártaro e não de Hades, usando-se termos gregos. Hades era o lugar onde as sombras dos mortos aguardavam a ressureição, correspondendo, talves, à idéia católica do prugatório. Osíris era o deus do Submundo neste sentido, Tártaro é o inferno dos condenados, e era deste mundo que Set era o Senhor.
Nas primeiras formas do mito, Osíris era a lua e Ísis a natureza, Urikitu, a Verde da história caldéia. Mas, posteriormente, ela tornou-se a lua-irmã, mãe e esposa do deus da lua. É neste ciclo que este mito primitivo da natureza começou a tomar um significado religioso mais profundo. Os homens começaram a ver na história de Osíris, que morreru e foi para o submundo, sendo depois restituído à vida pelo poder de Ísis, uma parábola da vida interior do homem que iria transcender a vida do corpo na terra.
Os egípcios eram um povo de mente muito concreta, e concebiam que a imortalidade poderia ser atingida através do poder de Osíris de maneira completamente materialista. Era por essa razão que conservavam os corpos daqueles que tinham sido levados para Osíris, através da iniciação, como conta o "Livro dos Mortos"; com efeito, acreditavam que, enquanto o corpo físico persistisse, a alma, ou Ka, também teria um corpo no qual poderia viver na Terra-dos-bem-aventurados, como Osíris que, no texto de uma pirâmide da quinta dinastia, é chamado de "Chefe daqueles que estão no Oeste", isto é, no outro mundo.
Ísis e Osíris eram irmãos gêmeos, que mantinham relações sexuais ainda no ventre da mãe e desta união nasceu o Hórus-mais-velho. No Egito, nesta época, era hábito entre os faraós e as divindades a celebração de núpcias entre irmãos, para não contaminar o sangue.
A história continua contando que quando Osíris tornou-se rei, livrou os egípcios de uma existência muito primitiva. Ensinou-lhes a agricultura e a feitura do vinho, formulou leis e instruiu como honrar seus deuses. Depois partir para uma viagem por todo o país, educando o povo e encantando-o com sua persuasão e razão, com a música, e "toda a arte que as mesas oferecem".
Enquanto ele estava longe sua esposa Ísis governou, e tudo correu bem, mas tão logo ele retornou, Set, que simbolizava o calor do deserto e da luxúria desenfreada, forjou um plano para apanhar Osíris e afatá-lo. Confeccionou um barril do tamanho de Osíris. Então convidou todos os deuses para uma grande festa, tendo escondido seus setenta e dois seguidores por perto. Durante a festividade, mostrou seu barril que foi admirado por todos. Prometeu dá-lo de presente àquele que coubesse nele. Então todos entraram nel por sua vez, mas ele se ajustou somente a Osíris. Neste momento, os homens escondidos apareceram e, rapidamente lacraram a tampa do barril. Levaram-o e jogaram no rio Nilo. Ele boiou para longe e alcançou o mar pela "passagem que é conhecida por um nome abominável".
Este evento ocorreu no décimo sétimo dia de Hator, isto é, novembro, no décimo oitavo ano de reinado de Osíris. Ele viveu e reinou por um ciclo de vinte e oito períodos ou dias, porque ele era a lua, cujo ciclo completa-se a cada vinte e oito dias.
Quando Ísis foi sabedora dos acontecimentos fatídicos, cortou uma mecha de seu cabelo e vestiu roupas de luto e vagou por todos os lugares, chorando e procurando pelo barril. Foi seu cachorro Anúbis, que era filho de Néftis e Osíris, que levou-a até o lugar onde o caixão tinha parado na praia, no país de Biblos. Ele havia ficado perto de uma moita de urzes, que cresceram tanto com sua presença, que tornou-se uma árvore que envolveu o barril. O rei daquele país mandou cortar a tal árvore e de seu tronco fez uma viga para a cumeeira de seu palácio, sem sequer imaginar que o mesmo continha o barril.
Ísis para reaver seu marido, fez amizade com as damas de companhia da rainha daquele país e acabou como enfermeira do príncipe. Ísis criou o menino dando-lhe o dedo ao invés de seu peito para mamar.
Os nomes do rei e da rainha são: Malec e Astarte, ou Istar. Bem sugestivo, pois nos faz ver que Ísis teve que recuperar o corpo de Osíris de sua predecessora da Arábia.
Acabou tendo que revelar-se para a rainha e implorou pelo tronco da árvore que continha o corpo de Osíris. Ísis retirou o barril da árvore e levou-o consigo em sua barcaça de volta para casa. Ao chegar, escondeu o caixão e foi procurar seu filho Hórus, para ajudá-la a trazer Osíris de volta à vida.
Set que havia saído para caçar com seus cachorros, encontra o barril. Abriu-o e cortou o corpo de Osíris em catorze pedaços espalhando-os. Aqui temos a fragmentação, os catorze pedaços que óbviamente referem-se aos catorze dias da lua.
Ísis soube do ocorrido e saiu à procura das partes do corpo. Viajou para longe em sua barcaça e onde quer que acahasse uma das partes fazia um santuário naquele lugar. Conseguiu reunir treze das peças unindo-as por mágica, mas faltava o falo. Então fez uma imagem desta parte e "consagrou o falo, em honra do qual os egípcios ainda hoje conservam uma festa chamada de "Faloforia", que significa "carregar o falo".
Ísis concebeu por meio dessa imagem e gerou uma criança, o Hórus-mais-jovem.
Osíris sugiu do submundo e apareceu para o Hórus-mais-velho. Treinou-o então para vingar-se de Set. A luta foi longa, mas finalmente Hórus trouxe Set amarrado para sua mãe.
Este é o resumo do mito.
Os cerimoniais do Egito eram relacionados com esses acontecimentos. A morte de Osíris, interpretada todos os anos, bem como as perambulações de Ísis e suas lamentações, tinham um papel conspícuo. O mistério final de sua ressureição e a demonstração pública, em procissão, do emblema de seu poder, a imagem do falo, completavam o ritual. Era uma religião na qual a participação emocional da tristeza e alegria de Ísis tinha lugar proeminente. Posteriormente, tornou-se de fato uma das religiões nas quais a redenção era atingida através do êxtase emocional pelo qual o adorador sentia-se um com deus.
ARQUÉTIPO DA PROVEDORA DA VIDA
É pelo poder de Ísis, através de seu amor, que o homem afogado na luxúria e na paixão, eleva-se a uma vida espiritual. Ísis, antes de tudo, é provedora da vida. Comumente é representada amamentando seu filho Hórus, pois ela é a mãe que nutri e alimenta tudo que gera. Ísis com seu bebê no colo, acabou transformada na Virgem Maria com o menino Jesus.
Embora Isis fosse considerada como mãe universal ela era venerada como protetora das mulheres em particular. Sendo aquela que dá a vida, que presidia sobre vida e morte, ela era protetora das mulheres durante o parto e confortava aquelas que perdiam seus entes queridos. Em Ísis, as mulheres encontravam o apoio e a inspiração para prosseguirem com suas vidas. Ísis proclamava ser, em hinos antigos, a deusa das mulheres e dotava suas seguidoras de poderes iguais aos do homem.
Esta deusa é também freqüentemente representada como uma deusa negra. Este fato está diretamente associado ao período de luto de Ísis (morte de Osíris), quando ela vestia-se de preto ou ela própria era preta.
As estátuas pretas de Ísis tinham também um outro sentido. Plutarco declara que "suas estátuas com chifres são representações da Lua Crescente, enquanto que as estátuas com roupa preta significavam as ocultações e as obscuridades nas quais ela segue o Sol (Osíris), almejando por ele. Conseqüentemente, invocam a Lua para casos de amor e Eudoxo diz que Ísis é quem os decide".
No Solstício de Inverno, a deusa, na forma de vaca dourada, coberta por um traje negro, era carregada sete vezes em torno do Santuário de Osíris morto, representando as perambulações de Ísis, que viajou através do mundo pranteando sua morte e procurando pelas partes espalhadas de seu corpo. Este ritual, era um procedimento mágico, que tencionava prevenir que a seca invadisse as regiões férteis do Nilo, pois a ressurreição de Osíris era, naquela época, um símbolo da enchente anual do Nilo, da qual a fertilidade da terra dependia.
ÍSIS E HÓRUS
Muita conhecida de todos os nós é a história de Hórus, o filho de Ísis, a deusa do Egito, tanto quanto os também tão estimados e conhecidos Maria e o menino Jesus no cristianismo. Entretanto, existem algumas diferenças entre os dois: a Ísis é adorada como uma divindade maternal muito antiga. Algumas vezes é representada com um disco do sol (ou lua) na cabeça, flanqueada à direita e à esquerda por dois chifres de vaca. A vaca era e é por seu úbere dispensador de leite o animal-mãe, usado em muitas culturas como símbolo materno. Outra diferença fundamental entre Ísis e Maria é também o fato de Ísis ter sido venerada como a garnde amada. Ainda no ventre materno ela se casou com seu irmão gêmeo Osíris, que ela amava acima de tudo.
Nos rituais antigos egípcios, executados para obter a ressurreição, o olho de Hórus tinha papel muito importante e era usado para animar o corpo do morto cujos membros tinham sido reunidos. Hórus, filho e herdeiro por excelência, é invocado também, para que impeça a ação do réptéis que estão no céu, na terra e na água, os leões do deserto, os crocodilos do rio.
Protetor da realeza, Hórus desempenha ainda, o papel capital do deus da cura. A magia de Hórus desvia as flechas do arco, apazigua a cólera do coração do ser angustiado.
ARQUÉTIPO DE CURA
Ísis era invocada nas antigas escrituras como a senhora da cura, restauradora da vida e fonte de ervas curativas. ela era venerada como a senhora das palavras de poder, cujos encantamentos faziam desaparecer as doenças.
À noção de magia liga-se também, imediatamente ao nome de Ísis, que conhece o nome secreto do deus supremo. Ísis dipõe do poder mágico que Geb, o deus da Terra, lhe ofereceu para poder proteger o filho Hórus. Ela pode fechar a boca de cada serpente, afastar do filho qualquer leão do deserto, todos os crocodilos do rio, qualquer réptil que morda. Ela pode desviar o efeito do veneno, pode fazer recuar o seu fogo destruidor por meio da palavra, fornecer ar a quem dele necessite. Os humores malignos que perturbam o corpo humano obedecem a Ísis. Qualquer pessoa picada, mordida, agredida, apela a ísis, a da boca hábil, identificiando-se com Hórus, que chama a mãe em seu socorro. Ela virá, fará gestos mágicos, mostrar-se-á tranqüilizadora ao cuidar do filho. Nada de grave irá lesar o filho da grande deusa.
Ísis aparece em na nossa vida para dizer que é hora de meditar. Você tem desperdiçado sua energia maternal sem guardar um pouco para si mesma? Sua mãe lhe deu todo o amor que você precisou? Pois agora é tempo de você se dar "um colo" para curar as mágoas do passado. Todos nós precisamos de cuidados maternos, independente de sermos donzela, mãe ou mulher madura.
O VÉU DE ÍSIS
O traje de Ísis só era obtido através da iniciação, era multicolorido e usado em muitos cerimoniais religiosos.
O véu multicolorido de Ísis é o mesmo véu de Maias, que nos é familiar no pensamento hindu. Ele representa a forma sempre mutante da natureza, cuja beleza e tragédia ocultam o espírito aos nosso olhos. A idéia é a de que o Espírito Criativo vestia-se de formas materiais de grande divindade e que todo o universo que conhecemos era feito daquela maneira, como a manifestação do Espírito do Criador.
Plutarco expressa essa idéia quando diz:"Pois Ísis é o princípio feminino da natureza e aquela que é capaz de receber a inteireza da gênese; em virtude disso ela tem sido chamada de enfermeira e a que tudo recebe por Platão e, pelo multidão, a dos dez mil nomes, por ser transformada pela Razão e receber todas as formas e idéias".
Um hino dirigido a Ísis-Net exprime essa mesma idéia de véu da natureza que esconde a verdade do mistério dos olhos humanos. Net era uma forma de Ísis, e era considerada como Mãe-de-todos, sendo de natureza tanto masculina como feminina. O texto em que esse hino está registrado data de cerca de 550 a.C., mas é provavelmente muito mais antigo.
Salve, grande mãe, não foi descoberto teu nascimento!
Salve, grande deusa, dentro do submundo que é duplamente escondido, tu, a desconhecida!
Salve, grande divina, não foste aberta!
Ó, abre teu traje.
Salve, coberta, nada nos é dado como acesso a ela.
Venha receber a alma de Osíris, protege-adentro de tuas duas mãos.
O véu de Ísis, tem também significados derivados. Se diz que o ser vivo é pego na teia ou véu de Ísis, significando que no nascimento o espírito, a centelha divina, que está em todos nós, é preso ou incorporado na carne. Significa dizer, que todos nós ficamos emaranhados ou presos na teia da natureza. Essa teia é a trama do destino ou circunstâncias. É inevitável que devamos ser presos pelo destino, mas freqüentemente consideramos este enredamento como infortúnio e queremos nos libertar dele. Se aceitarmos esta situação de o ser vivo estar preso a teia de Ísis, acabaremos encarando a trama de nossa vida de maneira diferente, pois é somente deste modo que o espírito divino pode ser resgatado. Se não fosse aprisionado desta forma, vagaria livremente e nunca teria oportunidade de transformar-se. Portanto, o espírito do homem precisa estar preso à rede de Ísis, caso contrário, não poderá ser levado em seu barco para a próxima fase de experiência.
DANÇA SAGRADA DOS SETE VÉUS
"Vê-la dançar é participar da força criadora que vibra no Cosmos; massa negra e pulsante explícita nos olhos e cabelos de Jhade. (...) Mãos se elevam em serpente e cortantes transformam em som o poder telúrico de seu ventre. Que os sons, manifestos em seu corpo, subam de encontro com o Eterno e sejam ouvidos além do tempo." (por W. Hassan)
A Dança dos Sete Véus tem sua origem em tempos remotos, onde as sacerdotisas dançavam no templo de Isis. É uma dança forte, bela e enigmática. Ela também reverencia à vida, os elementos da natureza, imita os passos dos animais e das divindades numa total integração com o universo. O coração da bailarina é tão leve quanto a pluma da Deusa Maat e é exatamente por isso que os véus são necessários, pois é deles que os deuses se servem para sutilizar o corpo da mulher. Os véus de Ísis, ao serem retirados, nos transmitem ensinamentos. Quando a bailarina usa dois véus, ao retirá-los nos diz que o corpo e espírito devem estar harmonizados. A Dança do Templo, que é usado três véus, homenageia a Trindade dos deuses do Antigo Egito: Ísis, Osíris e Hórus. A Dança do Palácio, com quatro véus, representa a busca da segurança e estabilidade e ao retirá-los a bailarina nos demonstra o quanto nos é benéfico o desapego das coisas materiais. Na Dança dos Sete Véus, cada véu corresponde a um grau de iniciação.
Os sete véus representam os sete chakras em equilíbrio e harmonia, sete cores e sete planetas.Cada planeta possui qualidades e defeitos que influenciam no temperamento das pessoas e a retirada de cada véu representa a dissolução dos aspectos mais nefastos e a exaltação de suas qualidades.
Significado das cores:
Vermelho: libertação das paixões e vitória do amorLaranja: libertação da raiva e dos sentimentos de iraAmarelo: libertação da ambição e do materialismoVerde: saúde e equilíbrio do corpo físicoAzul : encontro da serenidadeLilás: transmutação da alma, libertação da negatividadeBranco: pureza, encontro da Luz.
Toda mulher deixa transbordar seu essência através da dança. Todas aquelas emoções reprimidas, sentimentos esquecidos, afloram. Toda e qualquer mulher que consegue penetrar nos mistérios e ensinamentos dessa prática, se revelará de forma pura e sublime e alcançará o êxtase ao dançar.
Dançar é minha prece mais puraMomento em que meu corpo vislumbra o divino,Em que meus pés tocam o realReligiosidade despida de exageros,Desejo lascivo, bordado de plenitudeAtravés de meus movimentos posso chegar ao inatingívelPosso sentir por todos os corpos,
abraçar com todoo coração,E amar com os olhosCada gesto significativo desenha no espaço o infinito,Pairando no ar, compreensão e admiraçãoIniciar uma prece é como abrir uma porta Um convite a você, para entrar em meu universoO mágico contorna minha silhueta, ao mesmo tempoQue lhe toco sem tocarNada a observar, só a participarEsta prece ausente de palavrasÉ codificada pela almaE faz-nos interagir, de maneira sublime e hipnóticaQuando eu terminar esta dança,Estarei certa de que não seremos os mesmos.
EM BUSCA DAS DEUSAS PERDIDAS
"A grande pergunta que jamais foi respondida, apesar de meus quinze anos pesquisando a alma feminina é: O que uma mulher quer?" Sigmund Freud.
Há uma dinâmica fundamental por trás das atitudes de toda a mulher. Parte é adquirida com sua interação social, parte é inata. Quando a mesma dinâmica é constatada num grupo de pessoas, temos o que Jung denomina de ARQUÉTIPO. Esta forma pura na mitologia toma o nome de "Deusa".
As deusas personificam as muitas e diversas maneiras que uma mulher pode ser levada a adotar e a sentir, quando está apaixonada (Afrodite), quando está inspirada em um ideal (Atena) ou quando absorta em seu papel de mãe (Deméter).
Devido muitas vezes à nossa formação, há uma tendência de se considerar mitos antigos como bobagens supersticiosas. Engano nosso, pois eles representam uma psicologia altamente sofisticada. É por intermédios dos arquétipos que se conhece a identidade das pessoas. Eles podem aparecer em sonho, se manifestar no dia no dia-a-dia, ou permanecerem ocultos, mas sempre nos dão a dica que precisamos na busca da verdade e do conhecimento.
Vou passar a vocês a partir de agora, um pouco do resgate que fiz junto as deusas. Vale a pena conhecer um pouco mais destas deusas maravilhosas que habitam o nosso interior!
Selecionei seis Arquétipos-Deusas principais gregas, que são as que estão mais ativas na vida das mulheres da nossa era:
1. MULHER-ATENA
Esta é a mulher regida pela sabedoria da civilização. Busca a realização profissional, sendo bem sucedida na educação, na cultura intelectual, justiça social e política. É bem fácil identificá-la, pois a mulher-Atena está no mundo, ela faz e acontece: editorando revistas, dirigindo departamentos de Universidades, é personalidade política e grande executiva. Ela está sempre em evidência,pois é prática e extrovertida. Entretanto, a maioria dos homens têm medo dela, pois acham que não estão a altura de seu intelectuo. Mas quando conquistam seu respeito, a mulher-Atena é a mais leal das companheiras, uma verdadeira amiga de todas as horas. Os gregos a chamavam de "Companheira dos Heróis".
Suas preocupações são o mundo, tendem a ser sensíveis às relações humanas e somente elas são capazes de ajudar a tornar os grupos coesos.O arquétipo desta deusa se manifesta com maior intensidade em meninas pequenas. Seu forte ego as tornam briguentas e combativas. Preferirá sempre brincar com meninos, aceitando suas brigas e brincadeiras violentas. Assim como sua irmã Artemis ela se orgulha dos seus modos de rapaz. Porém, sendo mais competitiva, argumentará: "Tudo o que você consegue fazer, eu consigo fazer melhor".
A independência da mulher-Atena em relação aos homens é também, uma virtude que ela partilha com Artemis. Na realidade, ambas são consideradas deusas virgens, o que no mundo grego significava que não eram casadas. Elas são tão bem resolvidas, que não necessitam de um homem como parceiro ou consorte. O motivo de Hera precisar de um companheiro ou de Afrodite tolerar um amante imaturo tendem a ser um mistério para Atena.
Entretanto, apesar de sua força, seu brilho e independência, a donzela vestida de armadura, tem a vulnerabilidade de menina. Até mesmo as mais bem-sucedidas e carismáticas mulheres-Atena revelarão um dia, o quanto se sentem inseguras e ansiosas a despeito de tudo que realizam externamente. Eis aqui o paradoxo que nos leva ao cerne da chaga de Atena: quanto mais ela encobre a donzela vulnerável, mais impetuosa se torna sua armadura protetora. Se ferida, irá afugentar com selvageria todos aqueles que poderiam ajudá-la, pois jamais desarma suas defesas, deixando exposta sua essência nua e infinitamente sensível de sua feminilidade.
2. MULHER-ARTEMIS
É regida pela deusa das selvas. Ela é prática, atlética, aventureira. Aprecia a cultura física, a solidão, a vida ao ar livre e os animais. Dedica-se à proteção do meio ambiente, aos estilos de vida alternativos e às comunidades de mulheres.
Artemis não se destaca muito no mundo moderno. A cidade não é "sua praia". Quando ela é encontrada no meio urbano, ela é tímida, reservada. Curtir festas e multidão não é algo que lhe interessa. A energia vigorosa que captamos em Artemis entretanto, não é mental, provém do seu corpo ágil a atlético, que adora envolver-se fisicamente no projeto do momento.A mulher-Artemis, mesmo depois de idosa, manterá o corpo ativo, cheio de energia e muito bem conservado.
Igual a sua irmã Atena é apta a viver perfeitamente bem sem os homens. Ambas representam o tipo de mulher que já nasce com fortes qualidades "masculinas". Atena teria a "cabeça-dura" e Artemis o corpo rijo e perfeito. A maioria dos homens não conseguem acompanhar o estilo ativo e atlético de Artemis.
A energia arquétipa desta deusa aflora com maior força na adolescência. Ela começa a se identificar com as atividades, atitudes e maneiras de vestir dos meninos.
Dada a sua natureza de amante da liberdade, não ajuda a saber quem ela é. Internamente ela se sente perplexa com a transformação de seu corpo e tenderá a escondê-lo com camisas soltas. A vaidade exagerada de suas irmãs Afrodite e Hera só lhe inspira desprezo.
A chaga de Artemis envolve a solidão que é relegada. Seu amor à liberdade a tornam difícil de ser aceita como mãe, esposa ou profissional, estilos que pertencem a Deméter, a Hera e Atena. Na verdade ela tem repúdio por valores e formas adotadas pela sociedade convencional.A mulher-Artemis tende a escolher ser totalmente reclusa e muito solitária.
3. MULHER-AFRODITE
Desde que surgiu das espumas das ondas do mar na célebre concha de Vieira, artistas a pintaram e esculpiram, poetas reverenciaram sua beleza e músicos a cantaram em melodias. A deusa Afrodite sempre ocupou um lugar de destaque no Olimpo. Para mérito eterno dos gregos, eles jamais se dispuseram a lançar fora suas divindades femininas em favor de um único Deus Pai como fizeram os primeiros judeus e cristãos. E assim, Afrodite pode permanecer, junto com outras deusas, continuando a ser muito amada, embora ocupando uma posição um tanto ambígua nas margens da sociedade urbana grega.
Em nossa época, Afrodite dá toda a impressão de ter trocado o Olimpo por Hollywood. Grandes beldades das telas e passarelas como Maryln Monroe, Sharow Stones e nossa querida Gisele, parecem ter encarnado a nossa amada deusa. Entretanto, não pára aí, pois seu culto é universal! Diariamente, em seriados, em novelas da TV, romances vendidos em banca de revistas e escândalos políticos, revivem histórias imemoriais de paixão, ciúmes, inveja e traição.
Nunca uma deusa foi tão íntima e pública como Afrodite!Ela é antes de tudo uma presença sensual, como um sol vibrante, brilha e despedaça corações. É fácil identificá-la, adora roupas caras, jóias, perfumes e adornos de todo o tipo. Hoje ela domina o mundo da moda, cosméticos e o glamouroso universo do cinema e revistas.
Graças ao seu talento em manobrar sentimentos e os projetos criativos do homem, a mulher-Afrodite consegue manifestar o que Jung chamou de "anima"do homem. Quando apaixonada ela aumentará tremendamente a confiança de seu amado, pois acima de tudo, Afrodite quer que seus relacionamentos amorosos tenham coração.
A mulher-Afrodite não dá a mínima para as exigências sociais de um "bom casamento", que é o desejo de Hera. Considera o amor maternal de Deméter muito unilateral e o "casamento de mentes verdadeiras" de Atena excessivamente mental. Mas a lição mais dura para a mulher-Afrodite é a que no mundo de hoje, ela será sempre "a outra" para a maioria dos homens.Isto faz parte do antigo triângulo arquétipo característico do universo, da qual poderá estar envolvida diversas vezes ao longo da vida.
A liberdade sexual de Afrodite não pode ser tolerada por nenhuma esposa, pois ameaça a própria estrutura da sociedade patriarcal. A instituição do concubinato ou da prostituição é na realidade um resquício mutilado das grandes sociedades matrilineares da antiguidade que adoravam a Grande-Mãe. Para a maioria das pessoas, é mais seguro deixar que Afrodite viva exclusivamente na imaginação dos livros, filmes, TV e mexericos.
Grande parte das chagas da mulher-Afrodite decorrem do fato de ela estar alienada das outras deusas. Ela seria beneficiada com a capacidade de raciocínio de Atena. Também, se conseguisse superar sua aversão a Hera, poderia pedir a ela que a ajudasse a obter respeito social e um lugar mais confortável no mundo moderno.
Gostaria de concluir este texto dizendo que Afrodite está recuperando a dignidade e poder de outrora. Mas, infelizmente isso não acontece. Viver plenamente como mulher-Afrodite é tarefa difícil e dolorosa, sob muitos aspectos. É bem mais confortante viver confiante e protegida em Atena, ser esposa de empresário como Hera, reclusa como Artemis ou tornar-se mãe de todas as criaturas como Deméter.
4. MULHER-HERA
A mulher-hera exala confiança em si mesma, tem perfeito domínio sobre si própria e dos outros. A consciência de Hera é sempre percebida nas mulheres mais velhas. Ela é aquela que nasceu para mandar, podendo se tornar impiedosa como dirigente de uma organização ou até mesmo de uma nação. Como esposa de Zeus, a antiga deusa grega era co-governante do Olimpo, onde oficialmente partilhava o poder com o chefe dos deuses.Em nosso mundo, ela costuma personificar a esposa de "um grande homem". Hera é um oponente formidável, seja na família ou na esfera política. Uma vontade de ferro e idéias fixas caracterizam a mulher-Hera madura. Uma versão desta mulher foi percebida em Thatcher, a mulher implacável, onde os membros do governo britânico mostravam-se profundamente chocados com os modos arrogantes e ditatoriais da primeira-ministra.
Com ou sem poder, a Hera Moderna é matriarcal, a abelha-rainha de sua família. Defende valores conservadores, como também tenderá a assumir o papel de juíza dos novos gostos e costumes. Ela adora todos os encontros familiares, onde se vê adorada e rodeada de filhos e netos. O amor deles geralmente é secundário, muito mais importante é que eles a respeitem e reverenciem.
Independentemente das suas origens sociais, a mulher-Hera quase sempre aspirará à proeminência em qualquer grupo que pertencer.A jovem Hera é muito parecida com a jovem Atena. Ambas são brilhantes e cheias de energias e exalam auto-confiança. Mas as ambições de uma e outra são diferentes. A jovem Atena estará ocupada com as opções de pós-graduações e treinamento profissional. A jovem Hera, mantêm os olhos bem abertos na busca daqueles homens, que ao seu ver têm maior chance de sucesso na vida e descobrirá alguma maneira de sair com eles. Em resumo, a jovem Hera busca um marido e a jovem Atena busca uma carreira.
A mulher-Hera dá todas as indicações de aceitar a maternidade com calma e sem hesitação, mas de maneira alguma será a mãe branda, tolerante e permissiva como Deméter. Sempre preocupada com o "status" e a respeitabilidade social, a mãe Hera é disciplinadora e exigirá que seus filhos sejam tão bem sucedidos quanto o pai.
Quando se diz "atrás de um grande homem, existe uma grande mulher..", é a mais pura verdade e, esta mulher é uma mulher-Hera. Considerada a "sombra" do marido, enquanto não consuma seus desejos e fantasias, ela poderá intimidá-lo e até mesmo tiranizá-lo. E, se finalmente conseguir o que quer, quase sempre permanecerá sedenta de mais poder.
A dinâmica de Hera consiste em ela querer estar onde as coisas acontecem e a origem da maioria de seus protestos está em excluí-la de qualquer ação. Bem no fundo, ela que viver e agir como um homem num mundo de homens.
5. MULHER-PERSÉFONE
É provável que a mulher-Perséfone não impressione no primeiro encontro, mas ela também não tem a pretensão de se afirmar intensamente. Não possui a solidez de propósito de Artemis, nem conta com o terreno firme onde pisa a Hera. Mas há uma peculiaridade na mulher-Perséfone, uma qualidade que lhe é inata, a sua vulnerabilidade espiritual. Em sua fragilidade, percebe-se o anseio por afeição e intimidade profunda. Esta mulher é envolta por uma aura de mistérios. O seu mundo é paranormal, mas ela se sente atraída pelos ensinamentos da metafísica mais do que pelas ciências naturais convencionais. Tão poderosa é a autoridade domaterialismo científico de nossas universidades e considerada excêntrica ou alienígena para muitos.
Para os gregos, Perséfone era a Rainha distante do Mundo Avernal, que vigiava a alma dos mortos. Ma ela era conhecida também como a virgem donzela Coré, que foi seqüestrada de sua mãe, Deméter. Sua descida ao mundo avernal ao ser raptada por Hades é uma das histórias mais conhecidas de toda a mitologia grega. Mas o que é avernal? Na linguagem da psicologia moderna, seria chamado de inconsciente. De modo que Perséfone é aquela que foi sorvida não apenas pelo inconsciente, pelo desconhecido, por tudo o que é reprimido e sombrio (Freud), mais ainda mais profundamente pelo inconsciente coletivo, o mundo das potestades e poderes arquetípicos (Jung).
Uma mulher pode vivenciar isto de diversas maneiras: uma tragédia na infância, a perda de uma pessoa da família ou de um grande amor.Compreender o significado da descida de Perséfone é particularmente urgente nos dias de hoje. Muitas mulheres e homens, estão descobrindo seus talentos mediúnicos e sua aplicação na leitura dos tarôs, nas curas espirituais, meditações, etc.
Mas passar a maior parte da vida "entre espíritos" pode exercer uma enorme pressão psíquica, especialmente quando suas habilidades sejam erroneamente interpretadas ou temidas. Mais do que qualquer outra deusa, a mulher-Perséfone pode sofrer uma profunda alienação, que pode levá-la a um colapso. É importante que busque as suas deusas irmãs para ajudar a equilibrá-la. De Deméter, talvez precise do senso do corpo e da terra para trazê-la a colocar os pés no chão. De Atena, uma certa objetividadeacerca de seu potencial e assim por diante.
Nós bruxas estamos classificadas na mulher-Perséfone. Quando a Igreja perseguiu nossas irmãs bruxas, ela também suprimiu a antiga sabedoria da Deusa. O que se perdeu foi o segredo da Perséfone madura, a sabedoria daquela que conhece os mecanismos da vida e da morte, as energias que determinam as estações, a sexualidade e o nascimento, daquela que compreende o hiato entre os dois mundos.
A Perséfone madura ressurgi de algum modo do mundo espiritual, ainda que permaneça em contato com ele. Ela torna-se feiticeira, uma mulher sábia, alegre e bem humorada, que acha engraçada e divertida toda a loucura humana. E, mesmo quando anciã, ainda preserva toda sua juventude e, como uma jovem iniciada, traz consigo a jubilosa sabedoria dos anos.
6. MULHER-DEMÉTER
Não é difícil achar Deméter, pois ela sempre estará rodeada de crianças. É aquela faz e distribui o pão, que passa a noite acordada cuidando do filho doente, que cozinha, que lava e passa e que ainda tem reservas inesgotáveis de energia. Deméter é mais que uma mãe biológica, pois não é ter filhos que a faz mãe, é sua atitude, sua maneira instintiva de cuidar de tudo que é pueril, pequeno, carente e sem defesa. Deméter é pura dedicação e doação, sentimentos que conhecemos como "carinho de mãe".
É importante dizer que há algo de singular no carinho materno de Deméter. Isso não quer dizer que as outras deusas não possam ser mães, mas para Deméter ser mãe é tudo. Afrodite é uma mãe sensual que adora vestir os filhos e "curtir" um cinema. As Artemis tem uma meiguice selvagem e tratam seus filhos como filhotes de fera. Atena mal pode esperar que eles falem para conversar e estimular sua educação. Perséfone também é profundamente envolvida com os filhos, mas de maneira mais psíquica eintuitiva. A mãe Hera é tão cheia de regras, censuras e expectativas que resta pouca ternura para criar seus filhos. Somente Deméter se identifica plenamente com a maternidade, quase à exclusão dos outros interesses.
Ela é tão envolvida com o fato de ser mãe que não arranja tempo para comprar um vestido novo, ir ao cabeleireiro e outras atividades que toda a mulher gosta de fazer para si mesma. Deméter se sente totalmente realizada fazendo o que faz, sendo mãe.
O instinto para acalentar que existe em Deméter pode ser facilmente identificado em meninas brincando com bonecas. Uma vez jovem, Deméter é tão identificada com a mãe, que haverá uma relação quase simbiótica entre ambas.
Mas por mais belo que pareça este quadro de Deméter se realizando como mãe, ele está muito longe de ser uma realidade para a maioria das mães modernas. As pressões físicas e econômicas da mera subsistência tendem a exigir que as mulheres grávidas trabalhem até o dia do parto. Ficam licenciadas por um determinado tempo e são obrigadas a retornarem ao trabalho, sem a menor possibilidade de dar a devida atenção aos seus bebês.Individualmente, as mulheres que representam o modo de ser de Deméter não têm como expressar e como competir com as mulheres-Atenas bem instruídas que detêm influência política. Ela não é intelectual, via de regra, e não gosta de se expressar em público. Os planos que são concebidos para devolver as mães à força de trabalho e torná-las independentes dos homens são concepções de Atena e deixam a mulher-Deméter perplexa.
CONCLUSÕES
Quando se tiver uma visão mais clara de quais deusas são dominantes em nós mulheres e quais influenciam a vida dos homens, devemos então dedicar nossa atenção às deusas que se mostram mais frágeis dentro de nós.
Dialogar com elas através de um diário pessoal, pode ser o primeiro passo de aproximação. Mas entenda, que é fácil demais desenvolver uma das deusas e viver de acordo com seus ditames. Uma mulher, entretanto, não pode se tornar apenas uma matriarca de uma família (Hera), sem jamais trabalhar (negligenciando Atena), sem jamais dedicar-se à sua sexualidade (ignorando Afrodite) ou o seu mundo interior (Perséfone).
Igualmente o homem se esquiva das mulheres intelectuais (Atena), evita as maternais (Deméter) ou as mulheres fortes (Hera) e busca somente parceiras sexuais que o excitem: está na realidade preso numa ligação neurótica com Afrodite.
Todas as deusas têm histórias para contar, contribuições a fazer e sabedoria para compartilhar. Se Afrodite faz loucuras por amor, Hera teme que o casamento se rompa. Se Deméter deleita-se com seus filhos, Perséfone acalenta sua interioridade e Atena busca a ascensão profissional, assim como Artemis sonha com uma cabana na floresta. Entretanto, cada uma têm algo que as outras desconhecem. Á medida que as diversas deusas ganham vida dentro de nós, veremos que diversos aspectos são ativados.
Isto será então motivo de júbilo:
AS DEUSAS PERDIDAS ESTÃO VOLTANDO
POR QUAL DEUSA VOCÊ É REGIDA?
Você deve responder ao questionário abaixo e então descobrirá por si mesma quais deusas estão influenciando sua vida atual.
Instruções:
Mulheres: Leia atentamente as seis afirmações de cada pergunta e escolha a resposta que mais se identifica ou já se identificou com você.
Homens: Leia as seis afirmações e escolha aquela que pertence ao tipo de mulher que mais lhe atrai.
Questionário:
1. APARÊNCIA (a minha aparência/ a aparência dela)
A. Como não costumo sair muito, roupas e maquiagens não são tão importantes para mim.
B. Prefiro vestir jeans e uma camiseta confortável.
C. Minha aparência não é nada convencional.
D. Gosto de me vestir com roupas mais conservadoras e uso pouca maquiagem.
E. Gosto de me arrumar com roupas bem sensuais e provocantes.
F. Estar bem vestida e maquiada me dá segurança para enfrentar o mundo.
2. MEU CORPO (como eu sinto meu corpo/como ela sente seu corpo)
A. Eu não penso em meu corpo.
B. Meu corpo se sente melhor quando estou ativa e fazendo exercícios.
C. Gosto que meu corpo seja tocado e acariciado bastante pela pessoa que eu amo.
D. Muitas vezes eu não sinto absolutamente nada no meu corpo.
E. Acho deveras embaraçoso falar de meu corpo.
F. Se pudesse estaria sempre grávida, é o jeito com que mais me identifico com o meu corpo.
3. CASA E LAR (o que realmente importa para mim/para ela)
A. Gosto de minha casa seja elegante e impressione as pessoas.
B. Prefiro a cidade, para mim um apartamento está sob medida.
C. Minha casa deve ser aconchegante e ter lugar para muitos amigos.
D. Preciso de privacidade e espaço para fazer tudo o que gosto.
E. O lugar onde vivo deve ser bonito e confortável.
F. Prefiro viver no campo onde posso ficar próxima da natureza.
4. ALIMENTAÇÃO E COMIDA (a importância para mim/para ela)
A. Tomo cuidado com a alimentação por necessito de um corpo saudável.
B. Gosto de jantar fora em lugar bem romântico.
C. Gosto muito de comer fora onde possa conversar com meus amigos.
D. Eu realmente gosto de cozinhar para minha família e amigos.
E. As refeições são momentos familiares importantes.
F, Comer não é coisa importante para mim.
5. INFÂNCIA (como eu costumava ser/ela costumava ser)
A. Eu tinha muitas brincadeiras secretas e muitos mundos imaginários.
B. Eu sempre dirigia as brincadeiras com minhas amigas.
C. Eu gostava de brincar com bonecas.
D. Eu tinha sempre o nariz enfiado num livro depois de uma certa idade.
E. Eu estar ao ar livre e entre os animais.
F. Eu adorava brincar de desfile e me vestir como gente grande.
6. OS HOMENS (o que preciso em um/o que ela precisa em um)
A. Quero um homem que se excite sexualmente sempre.
B. Quero um homem que me proteja e me faça mimos.
C. Quero um homem que seja independente e me proporcione bastante espaço.
D. Preciso de um homem que me desafie intelectualmente.
E. Preciso de um homem que compreenda o meu mundo interior.
F. Quero um homem de cuja posição no mundo eu possa me orgulhar.
7. AMOR E CASAMENTO (o que significa para mim/para ela)
A. O casamento só dá certo quando houver uma ligação espiritual maior.
B. Casamento é o alicerce da sociedade.
C. O amor é mais importante que tudo, sem ele meu casamento seria vazio.
D. Tudo bem com o amor e o casamento, desde que eu tenha o meu espaço.
E. O casamento protege os filhos, amor apenas não é suficiente.
F. Meu casamento às vezes tem que ser sacrificado em função do meu trabalho.
8. SEXUALIDADE (como eu sou na cama/como ela é na cama)
A. Às vezes é difícil eu me soltar completamente quando faço sexo.
B. Eu me excito facilmente com o homem certo.
C. Às vezes leva um certo tempo até eu de fato entrar no meu corpo.
D. No sexo, adoro tanto dar quanto receber.
E. Eu sou meio tímida sexualmente, mas posso me tornar quase selvagem.
F. O sexo pode ser extático e quase místico para mim.
9. OS FILHOS (o papel deles na minha vida/na vida dela)
A. Sinto-me feliz quando estou fazendo alguma coisa ao ar livre com meus filhos.
B. Meus filhos são a maior realização da minha vida.
C. Eu espero que meus filhos venham a ser um grande crédito a meu favor.
D. Prefiro não ter filhos e me dedicar à minha carreira.
E. Eu amo meus filhos, mas a minha vida amorosa é igualmente importante.
F. Eu amo meus filhos e quero sempre saber o que estão sentindo ou pensando.
10. PASSATEMPOS (coisas que eu gosto de fazer/que ela gosta de fazer)
A. Metafísica, leitura de tarô, astrologia, tudo que diz respeito ao esoterismo.
B. Estar sempre apaixonada, colecionar jóias, comprar roupas bonitas, ouvir música e ir ao teatro.
C. Esportes, atletismo, correr, acampar, pescar, velejar, montar a cavalo.
D. Serviços comunitários, clubes sociais, grupos voluntários, igrejas paroquiais.
E. Campanhas políticas, apoio a minorias, museus, séries de conferências, leituras.
F. Cozinhar, jardinar, bordar, tecer, costurar.
11. FESTAS (como eu me comporto/como ela se comporta nelas)
A. Eu geralmente me envolvo em discussões políticas ou intelectuais.
B. Costumo ser atraída por pessoas com problemas.
C. Prefiro ser anfitriã das minhas festas.
D. Não consigo deixar de querer localizar o homem mais sensual da festa.
E. Gosto de ter certeza que todos estão se divertindo.
F. Festas me deixam tensa, não gosto muito delas.
12. AMIZADES (o lugar que ocupa na minha vida/na vida dela)
A. A maioria das minhas amigas tem filhos da mesma idade que os meus.
B. Escolho as minhas amizades com muito cuidado e elas são muito importantes para mim.
C. Gosto de partilhar minhas últimas idéias e projetos com minhas amigas e amigos.
D. Minhas amizades tendem a ser amizades mágicas.
E. Minhas amigas são basicamente as esposas dos amigos de meu marido.
F. Meus amigos são geralmente mais importantes para mim do que minhas amigas.
13. LIVROS ( que tipo de livros eu trago por perto/ela traz por perto)
A. Livros de receitas, de artesanato, de como cuidar das crianças.
B. Literatura, biografias, livros de viagem, história ilustrada.
C. Livros da Nova Era, psicologia, metafísica, I Ching.
D. Livro de esportes e saúde, manuais de ioga, livros de animais de vida selvagem.
E. Livros de arte, biografias populares, romances e poesias
F. Política, sociologia, livros intelectuais recentes, livros feministas.
14. O MUNDO AÍ FORA (minha atitude/ a atitude dela)
A. Eu sempre procuro me manter informada sobre o que acontece no mundo.
B. A política só me interessa pelas intrigas de bastidores.
C. Eu conheço mais do mundo através dos meus sonhos do que pela TV ou jornais.
D. Eu raramente sei, ou quero saber, o que está acontecendo no mundo.
E. O mundo é basicamente dos homens, eles que são "brancos" que se entendam.
F. É importante para mim ter um papel ativo na comunidade.
VAMOS AGORA CALCULAR OS PONTOS:
ATENA
AFRODITE
PERSÉFONE
ÁRTEMIS
DEMÉTER
HERA
1 - F
1- E
1- C
1 - B
1 - A
1 - D
2 - A
2 - C
2 - D
2 - B
2 - F
2 - E
3 - B
3 - E
3 - D
3 - F
3 - C
3 - A
4 - C
4 - B
4 - F
4 - A
4 - D
4 - E
5 - D
5 - F
5 - A
5 - E
5 - C
5 - B
6 - D
6 - A
6 - E
6 - C
6 - B
6 - F
7 - F
7 - C
7 - A
7 - D
7 - E
7 - B
8 - C
8 - B
8 - F
8 - E
8 - D
8 - A
9 - D
9 - E
9 - F
9 - A
9 - B
9 - C
10 - E
10 - B
10 - A
10 - C
10 - F
10 - D
11 - A
11 - D
11 - B
11 - F
11 - E
11 - C
12 - C
12 - F
12 - D
12 - B
12 - A
12 -E
13 - F
13 - E
13 - C
13 - D
13 - A
13 - B
14 - A
14 - B
14 - C
14 - D
14 - E
14 - F
Você deve somar os valores de cada coluna da tabela acima, obtendo assim um coeficiente para cada deusa. As deusas que tiverem maior pontuação são as que se fazem mais fortes em sua vida, ao passo que as rejeitadas terão coeficientes mais baixos. Você acabou de traçar um "Perfil das Deusas".
INTERPRETAÇÃO
Depois de traçar o perfil, o que fazer a respeito e o que significa?
O questionário que foi respondido reflete um processo dinâmico, pois você não é a mesma pessoa de um ano atrás e não será a mesma daqui mais um ano. Nós estamos sempre nos transformando com experiências e informações novas, portanto o seu "Perfil das Deusas" será diferente em diferentes épocas de sua vida.
O importante deste questionário é a relação entre as deusas do seu Perfil. Devemos aprender a usar o perfil e as deusas como mapas para explorar o interior de nosso psique. O objetivo maior está em tornarmos cientes das qualidades e das chagas de cada uma das deusas, trazê-las à consciência e trabalhar com elas a fim de desenvolver essas qualidades e curar as chagas.
CONCILIANDO DEUSAS
Uma mulher, com certeza possui uma ou mais deusas dominantes na sua constituição.
Todas nós temos que atravessar as diversas etapas arquétipicas e vivenciais da vida: bebê, criança, adolescente, adulta e mais velha. O relevante é COMO vivenciamos tais estágios, pois eles nos dirão de maneira óbvia e sutil, as deusas que estão se expressando em nós.
Para encontrarmos esses deusas, será necessário escrevermos todas as coisas que mais se destacam na nossa memória ao longo dos diferentes estágios de nossas vidas. Quando o rascunho estiver completo, é hora de se analisar e identificar quais deusas estão representadas e em que estágio de nossa caminhada. Às vezes o poder de uma deusa desponta cedo na vida, outras mais tarde. Portanto, o importante ao identificarmos as vivências pessoais com cada deusa é também descobrir qual delas se sobressai e qual está ausente. A deusa com a qual temos questões pendentes, provavelmente não será nem aquela que teve menos voz ativa em nossa vida até o momento, nem aquela cuja voz "passiva" sempre ouvimos mas nunca escutamos. A tarefa é descobrir quais são as questões que devem ser solucionadas com elas.
Em seu rascunho faça seis círculos, um para cada deusa e dentro de cada um deles escreva palavras que você associa a cada uma delas. Com certeza você começará a ver o quanto a chaga de cada deusa influência o seu dia-a-dia.
Tradicionalmente o ciclo de vida as mulheres apresentava três estágios: Jovem, Mãe e Anciã. Mas hoje já se melhora um pouco mais este contexto, pois os tempos são outros:
1 . Primeira Fase: PERSÉFONE (como jovem) - que rege a infância e a juventude
2. Segunda fase: ÁRTEMIS E ATENA - regem a adolescência, o início da idade adulta e a transição.
3. Terceira fase: DEMÉTER E AFRODITE - regem respectivamente a maternidade e os relacionamentos na maturidade.
4 Quarta fase: HERA - rege a metade da vida, a mulher enquanto "dignatária"
5 - Quinta fase: PERSÉFONE (como anciã) - rege a velhice e a morte, a mulher "sábia".
Tomemos as quatro deusas agrupadas acima como as mais atuantes hoje em dia na vida de toda a mulher a partir do final da adolescência: DEMÉTER, AFRODITE, ATENA e ÁRTEMIS. Elas estarão agindo no psique de quase todas as mulheres. Deméter quer bebês, Afrodite busca romance, Atena deseja uma carreira e Ártemis quer ficar sozinha. Como optar entre elas? Primeiro você deverá ouvir sua voz interior. A essas alturas você já sabe qual é sua deusa dominante. Segundo, deverá examinar as influências externas que a estão aproximando ou afastando do domínio das outras deusas. Dê uma refletida na sua mãe. Qual deusa a domina? Você seguiu o caminho que ela lhe projetou? Você também deve estar atenta ao seu pai Você não estaria se moldando para agradá-lo?
E indo além de seus pais, você deve examinar os valores gerais da comunidade em que foi criada e como eles influenciaram ou distorceram o seu tipo fundamental de deusa.
E ENTÃO, O QUE FAZEMOS?
Não tem importância o método, o que importa é conhecermos quais energias das deusas são poderosas em nós para que possamos estabelecer alianças que beneficiem aquelas que estão mais fracas ou ausentes.
Talvez fique mais fácil se você visualizar seis almofadas confortáveis e você senta naquela em que se sentir mais à vontade. Agora imagine outras mulheres sentadas nos demais lugares, mulheres que lhe povoaram a mente enquanto você respondia o questionário, independente de gostar ou não delas. Certamente existirá alguma que você preferirá evitar por completo. Agora que você visualizou a sua sombra, poderá confrontá-la com coisas a respeito das quais discordam: as atitudes dela sobre comida e política, o modo de cuidar da casa e de si própria, os valores que defende. Uma coisa de por as coisas em pratos limpos com sua sombra é escrever a ela uma carta expressando tudo aquilo que você já pensou ou sentiu, mas nunca teve a chance de manifestar.
Agora que você já escreveu, reflita! Será que sua sombra tem algo a lhe dizer?
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